Um filme primoroso

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James Stewart e seu amigo imaginário (Harvey): uma obra surpreendente

Estava meio sorumbático no domingo à noite, quando, numa zapeada pelos canais, peguei um filme começando no TCM [canal de clássicos da Turner]. Vi que o ator principal era James Stewart e, claro, mantive o controle remoto afastado das mãos. Era tudo o que eu queria ver numa noite de domingo sorumbática.

Custei a saber o nome do filme, porque o TCM é muito ruinzinho nessas coisas de identificar a programação. Na página da internet estava lá: “The Essentials – Minissérie”. Não era nada disso. Fui pro Google e coloquei simplesmente “Harvey James Stewart” e veio tudo sobre o filme.

Harvey é o nome do amigo imaginário do personagem central da obra. Um coelho de 1,91 m de altura, conforme a imaginação de Elwood P. Dowd (Stewart). Por conta de sua amizade virtual (ou espiritual), Dowd se envolve em múltiplas encrencas, é considerado doido, é internado num hospício, depois liberado, e deixa no ar mais dúvidas do que certezas sobre a sua sanidade.

Ao longo do filme, o espectador é conduzido a acreditar na existência do amigo imaginário de Dowd. Aliás, não apenas o espectador, mas também os outros personagens. Porque a doçura de Dowd, magnificamente interpretado por Stewart, nos faz crer que o mundo pode ser muito melhor se o vivermos a partir da perspectiva de um amigo imaginário, com alma e comportamento de anjo.

Vale a pena buscar o filme, chamado em português de Meu Amigo Harvey (Harvey apenas em inglês), com direção de Henry Koster. A obra foi produzida em 1950, quando as comédias norte-americanas ainda faziam muito sentido e não eram marcadas pelo vale-tudo de baixarias que tem aparecido nos últimos anos.

Em tempo 1 – Soube, pela internet (aqui), que Steven Spielberg está preparando um remake de Harvey. Como Spielberg é gênio, pode ser que a nova versão seja tão boa (ou melhor que a original).

Em tempo 2 – Após a projeção de Harvey, ontem à noite, entraram dois críticos norte-americanos analisando o filme. Pelo debate dos dois, fiquei sabendo que Stewart não gostou de sua interpretação do papel no cinema (ele fez Harvey também no teatro). Claro, Stewart era um ator muito exigente e deve ter considerado seu desempenho aquém da força do personagem. Eu gostei dele como o Dowd. Primoroso.

Em tempo 3 – O filme foi indicado ao Oscar. Não levou porque a Academia não premiava comédias.

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