O nó do transporte coletivo

 

   A população do Sul da Ilha está reclamando da redução dos horários de circulação dos coletivos. O secretário de Transportes, João Batista Nunes, admite o problema, conforme notícia publicada no Diário on-line. E diz: — “Infelizmente ocorreu sim (esse) erro da Secretaria, das empresas que foram comunicadas com brevidade, de informar a população das alterações. O que nós estamos fazendo e exigindo das empresas, conforme tabulação de quadro de horário e demanda, é a otimização dos horários. Não justifica linha com duas, três pessoas dentro. E quem paga é contribuinte. Quilometragem em excesso só acarreta aumento da tarifa” (DC).

   Essa aí é a prova de que está chegando a hora da verdade em relação ao transporte coletivo. Eu pago por um trajeto de dois quilômetros – linha Circular – o valor de R$ 2,80. O cidadão que vai para Ingleses (35 quilômetros) ou Rio Vermelho (45 quilômetros) paga os mesmos R$ 2,80. Paga, não. Eu, que utilizo linha curta, é quem subsidio a passagem do camarada que usa as linhas longas. É matemática, pura e simples, sem tirar nem pôr.

   Aí o que fazem as empresas? Reduzem os horários, desligam os aparelhos de ar-condicionado dos ônibus, diminuem a qualidade de todos os serviços prestados, relaxam na manutenção dos veículos (*), porque operam com diferenças de custo absurdas.

   Mas a atual administração florianopolitana, que joga pra plateia, não quer nem saber: penaliza a população com uma passagem caríssima (R$ 2,80 é um assalto) e, ao mesmo tempo, não consegue resolver o problema das empresas, que acumulam prejuízos desde a implantação do sistema integrado, em 2004.

   E não venham dizer que a culpa é da administração anterior, porque a administração anterior é justamente a que está no poder: prometeu abrir a tal caixa preta do transporte coletivo e até hoje nada – as coisas só pioraram. E como pioraram nos últimos cinco anos!

 

(*) Há algumas semanas tomei um ônibus para ir ao Morro da Cruz. No caminho, o veículo começou a apresentar problemas mecânicos (na caixa de marchas), logo superados. Comentário do cobrador: “Só hoje foram sete carros quebrados”. Em suma: a frota não está recebendo a manutenção adequada. E quem paga a conta? O cidadão que utiliza esse sistema precaríssimo e superado de transporte coletivo.

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One response to this post.

  1. Posted by Vadeco on 18/09/2009 at 16:08

    Usuário paga 2,80 para a Cotisa. A mesma repassa para as empresas em km rodado. Não foi por acaso que tempos atrás a empresa que faz a linha do Canto queria sair fora do esquema e receber por passageiro, já que a proximidade do centro não vale a pena cobrar km rodado. Por isso a gente ve ônibus vazio quem tem as linhas mais longas leva mais. A caixa preta do transporte está aí, é a ponta do iceber.
    Abraços

    Responder

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