Cinemas de Florianópolis

 

   Escrevi ontem sobre o Cine Cecomtur, que era o mais luxuoso de Florianópolis. Quando foi inaugurado, a ideia era que fosse o cinema do hotel Cecomtur, que pertencia à mesma família proprietária da rede de cinemas da cidade (Daux). Naquela época (anos 70), as obras do hotel ficaram pela metade, porque o grupo não teve recursos para completá-las. Mas o cinema funcionou e era bacana demais, com entrada pela frente (tela), como são hoje as horríveis salas de exibição dos shoppings.

   Os outros cinemas do Centro, que frequentei assiduamente até fecharem: Coral (depois Carlitos, onde é atualmente a loja Millium da Rua João Pinto), São José (onde está hoje a igreja do bispo Bita Pereira), Ritz (hoje um centro de eventos da Catedral), Roxy (salão paroquial da Catedral). No Estreito, conheci o Glória e o Jalisco — o prédio deste, ao lado do quartel do Exército, foi demolido para dar lugar a um posto de gasolina.

   Em passado mais recente (anos 90), houve também o Art 7, que era dirigido pelo cinéfilo e ex-crítico de cinema de O Estado, Darci Costa. O cinema foi desativado para que o Badesc instalasse a sua sede central no prédio da Rua Almirante Alvim. Correram com o seu Darci, uma lenda do nosso jornalismo e do nosso cinema e que só fez o bem para Florianópolis!

   Não posso esquecer do Cinema do CIC, dirigido pelo querido Gilberto Gerlach, na verdade o Cineclube Nossa Senhora do Desterro, única sala de exibição de filmes não-comerciais de Florianópolis. Gilberto começou o cineclube no Teatro Adolpho Mello, em São José. Depois, transferiu suas atividades para o Cine Jalisco – onde assisti um ciclo completo de filmes de Akira Kurosawa, nos anos 80. Finalmente, instalou-se no CIC, onde está até hoje (creio que desativado em tempos recentes porque o prédio todo está em reforma).

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4 responses to this post.

  1. Infelizmente essa época não volta mais. Cheguei a frequentar alguns desses cinemas na minha infância (o Cecomtur e o Ritz), mas em pouco tempo se transformaram em cinemas pornô e depois em igrejas evangélicas.

    O pior é que esse cenário não diz respeito só ao cinema, mas ao problema dos espaços públicos (ou de maneira ampla, do próprio conceito de “público” no Brasil). O maior exemplo é o modo de ocupação do centro, que atualmente só tem vida no horário comercial, se tornando perigoso e desértico no horário noturno. Enquanto isso, a maior parte do movimento nos bairros centrais fica confinada nos shoppings.

    Apesar disso, vale ressaltar que o centro conta com cada vez mais iniciativas de cineclubes, como o do Museu Victor Meirelles, o da Fundação Badesc, o da Cinemateca Catarinense, dentre outros. Óbvio que não é a mesma coisa que assistir a um filme em película em uma boa sala de cinema, mas para quem é amante da sétima arte, há essa possibilidade de pegar bons filmes e de bater um bom papo.

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  2. Posted by Sergio on 16/09/2009 at 16:46

    E aquela foto na parede da pastelaria do Keko,um senhor de barba branca com uma maquina fotografica é sua?

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  3. Posted by Breno on 16/09/2009 at 17:18

    Lembro de ter assistido Cinema Paradiso no Art 7. E, no exato momento da cena do o filme começar a queimar enquanto Totó saia em busca de outro rolo para continuar a projeção, não é que o próprio filme Cinema Paradiso também começa a queimar na projeção do Art 7! Um rapaz, ao lado, exclamou: é muita realismo…

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  4. Posted by Walter Pacheco Júnior on 16/01/2010 at 18:40

    Meu caro,
    Também sinto as mesmas angústias e aflições. Sala de cinema em shoping é uma coisa tão longe de cinema quanto cinema em televisão. Mas, permita-me umas correçõesinhas: a) no lugar onde hoje funciona uma Loja Mil e Um, funcionou durante muito tempo o Cine Imperial. Depois fechou, virou fábrica de sabão e muito mais tarde abriu como Cine Coral; b) o falecido Cine Jalisco, que anteriormente se chamava Cine Império, não cedeu lugar para o Posto de Gasolina. O terreno dele ainda está lá, entre o referido posto e o 63ºBi. Abandonado, acabou ameançando desabar, sendo, portando demolido.
    Todavia, o déficit população versus sala de cinema é muito grande. Em Fpolis. fecharam 9 salas, e na grandfpolis, 6.
    Walter

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