Honduras é logo ali!

 

Está em curso um movimento suprapartidário de solidariedade ao povo hondurenho, vítima recente de um golpe de direita, que agrediu a estabilidade democrática daquele país. Recebi de um amigo uma convocação para que nos integremos à rede internacional de defesa da democracia em Honduras, pelo pronto restabelecimento das liberdades civis e pelo retorno imediato ao poder do presidente deposto, Manuel Zelaya:

O que está acontecendo em Honduras nos interessa de perto, como cidadãos e agentes políticos, pois está em jogo o futuro da democracia na América Latina.

O povo está nas ruas resistindo ao golpe e precisa de apoio internacional. Já se contabilizam mortos, feridos, presos e exilados. As três centrais sindicais hondurenhas, as organizações indígenas e de camponeses, os professores e estudantes, organizações religiosas e comunitárias resistem.

Nosso papel é o de tomar parte de uma rede de apoio a essas manifestações, mesmo através da internet, como forma de evitar o prolongamento da crise estabelecida por essa direita golpista e sanguinária. O objetivo é a retomada imediata da normalidade democrática naquele país tão próximo de nós.

ATUALIZAÇÃO — Meu querido Canga postou comentário sobre o espírito bolivariano do presidente Zelaya, que estaria seguindo a cartilha do Hugo Chávez. OK, Canga, não sou bolivariano e, nem por isso, acho que o caminho para melhorar a situação política na Venezuela seja um golpe de direita. Não vou usar a expressão “prefiro Chávez”, porque estaria dizendo que, no caso do Brasil de 1964, eu ia “preferir Jango” ao golpe da direita — e nós sabemos muito bem o quanto Jango era fraco e equivocado, sem que isso pudesse autorizar uma intervenção político-militar direitista. Sou contrário a qualquer tipo de golpe, inclusive o autogolpe de Chávez. Ainda acredito que a democracia pode resolver as questões internas de qualquer país, até o nosso, que anda contaminado pela corrupção, falta de ética, fisiologismo, coronelismo e idiotice marketeira.

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7 responses to this post.

  1. Damião acho que defender o Zelaya é uma zelada. Alí é cobra comendo cobra. Não sou a favor de golpes, nem de direita nem de esquerda. O Zelaya estava urdindo um golpe no melhor estilo bolivariano com apoio do Hugo Chaves. Tu achas legal o Hugo?
    Ah pára meu!
    Abraços do camarada
    Canga

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  2. Posted by Joanildo on 02/08/2009 at 16:47

    Damião, deveríamos nos preocupar mais com nosso país onde a “democracia” é afrontada todo dia e ninguém fala nada. No caso de Honduras, quem primeiramente tentou golpear a constituição, foi o então presidente Zelaya. Naquele país (Honduras) o povo é mais zeloso pela constituição que no Brasil. Ninguém está falando uma linha sequer do que Chavez está fazendo na Venezuela, fechando rádios e afrontando a “Democracia”.

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  3. Posted by carlos on 02/08/2009 at 21:22

    Os hondurenhos que se entendam, eles tem leis, e parece que gostam de cumpri-las, bem diferente deste nosso país, onde o artigo 37 do “livrinho” virou letra morta e não se acha quem se disponha a fazer um movimento nacional pelo seu cumprimento. Tegucigalpa? Nem sei onde fica, mas Brasília é logo ali!

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  4. Posted by Roney Prazeres on 03/08/2009 at 9:09

    Damião, acho muito importante combater sim o nefasto golpe de estado que ocorreu em Honduras. Não ficar atento ao que ocorre ao nosso redor é sinal de desprezo pela América Latina ou de ignorância política e isso não podemos aceitar. Sejamos solidários!
    Quanto à Hugo Chaves, acho que existe mais preconceito do que informação clara sobre a verdadeira realidade da Venezuela. Não podemos nos basear só pelo que a mídia diz, é importante conhecer mais de perto a vida daquele país.
    Conheço gente que esteve lá e diz que as coisas não são como contam por aqui.
    É questão de ver para crer.
    Saudações Desterrenses

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  5. Que Golpe Damiao? Z’elaia ‘e que queria chutar a constituicao hondurenha e implanatar a reeleicao infinita e a falsa democracia ad eternum com votos dos campesinos tratados a bolsa isso e aquilo.

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  6. Posted by Vana on 04/08/2009 at 19:24

    Amigo Celso

    Desculpe não ter respondido antes teu “emelho”. Mato um leão por dia no trabalho e vou acumulando a correspondência

    Concordo, temos que apoiar os povos que lutam pela soberania e controle de seu próprio destino.

    Os trabalhadores do Brasil e de todo o mundo devem repudiar o golpe militar e as ações terroristas da burguesia hondurenha e manifestar total solidariedade ao povo trabalhador de Honduras que está sofrendo uma repressão brutal.

    Tenho acompanhado em vários blogs as reações ao teu chamado de solidariedade. É impressionante como jornalistas e blogueiros (ainda tenho a capacidade de me surpreender com as figuras), ferrenhos defensores da “democracia” se unem à mídia internacional para tentar amenizar o profundo golpe que o povo hondurenho está sofrendo. Não sou uma apoiadora da política do Zelaya, mas qual foi mesmo o crime que ele cometeu? Ah, foi a proposta de realizar um plebiscito, uma consulta popular para permitir a reeleição. Esta proposta poderia ser derrotada no voto. Então, por que mesmo o golpe?

    Jornalistas e blogueiros que se dizem de esquerda e outros que são tão tão democratas e defensores das liberdades fazem vistas grossas e viram as costas para a injustiça e a violência, principalmente por causa do medo patológico que têm de Hugo Chavez (um cara que, certo ou errado, está na presidência eleito democraticamente, que realizou plebiscitos e inclusive perdeu o último, reconheceu a derrota, e continuou na peleia política).

    Confesso que não sou chavista, mas há mudanças significativas em favor dos trabalhadores venezuelanos.

    Mas a questão aqui não é Chavez, não é a política do Zelaya (que parece já estar procurando um acordo, mas isso é assunto para outra discussão).

    Trata-se aqui de manifestar ampla e irrestrita solidariedade ao povo de Honduras, às pessoas que estão sendo feridas, presas e mortas por defenderem o direito de controlar o seu destino e de defenderem o governo que elegeram, sem a intervenção brutal dos golpistas reacionários daquele país.

    Aí está a questão. E estas pessoas merecem o nosso respeito e solidariedade sim!

    Celso, que bom sentir teu coração generoso, fraterno.

    Em tempos em que o ânimo geral sofre um baque com tanta corrupção e traição dos nossos ideais, que faz os mais jovens se desencantarem e, em alguns momentos, terem tantas dúvidas sobre como superar a situação, sempre é bom ter a referência de uma pessoa como você, que já passou por tanta coisa e que continua, hoje, com “a capacidade de se indignar com as injustiças contra qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo” (Che).

    Não vamos pegar um avião, mas podemos daqui mesmo como jornalistas juntar nossos esforços para contar o outro lado da história, aquela que a Rede Bobo e a CNN não contam, vamos espalhar as notícias da real situação de Honduras para todas as pessoas que temos contato, vamos formar a nossa rede de solidariedade. Ela um dia será mais forte.

    Abração

    Vana Goulart

    Responder

  7. Caro Damião,

    É preciso esclarecer para os catarinenses, e para os brasileiros, que Zelaya não estava propondo reeleição. Não, o mandato dele termina em janeiro de 2010, de sorte que não poderia haver uma Constituinte concluída tão rapidamente.

    O golpe foi desferido contra uma consulta que queria propor a convocação de uma Assembléia Constituinte, e esta ocorreria com Zalaya já fora do governo. Isto é que a grande mídia internacional está repassando à nossa grande mídia, que gostou da histotinha. Zelaya nunca propôs reeleição, e isso precisa ser esclarecido.

    Além do mais, esse negócio de reeleição não foi criação de nunhum governo progressista, ou de esquerda. Quem criou essa onda na América Latina foram os conservadores, inicialmente: Fernando Henrique Cardoso (com mensalão no Congresso Brasileiro, lembra?; Carlos Menen (na Argentina) e; Alberto Fugimory (no Peru). Agora todo mundo joga pedra no Chavez, como se ele fosse o inventor da reeleição, mas esquecem os “queridinhos” que foram de fato os inventores. Ah, reeleição existe nos Estados Unidos da América desde sempre…

    Mas, sé escrevo, direto de Tegucigalpa, que é mais perto que os EUA e que a Rússia, também para refrescar a idéia de alguns iluminados que querem passar a idéia de que Honduras fica depois de marte.

    Grande Abraço, irmão!!!

    Amauri

    Responder

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