Ausência – e presença – de Vinicius de Moraes

Não pude atualizar o blog no dia de hoje, em função de compromissos profissionais. Peço desculpas aos leitores pela ausência involuntária.

Para não deixar passar a segunda-feira em branco, um soneto de Vinicius de Moraes, mestre insuperável da poesia brasileira, escrito há exatos 70 anos:  

SONETO AO INVERNO 

Inverno, doce inverno das manhãs / Translúcidas, tardias e distantes / Propício ao sentimento das irmãs / E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfiguras as maçãs / Em iluminações dessemelhantes / E enlouqueces as rosas temporãs / Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas / Alma do céu? O amor das coisas várias / Fez-te migrar – inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias / Preservador de santas e de estrelas… / Que importa a noite lúgubre escondê-las?

Londres, 1939

[In Moraes, Vinicius de, Livro de Sonetos, São Paulo, Companhia das Letras, 1991]

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