Malabaristas — reações mundo afora

 

Recebo dezenas de e-mails do Fórum Libertário todos os dias. Gosto muito dessa rapaziada, faz tempo. Ontem e hoje foi uma avalanche: a coisa dos malabaristas de sinaleiras repercutiu pelo mundo afora (o Fórum tem amplitude internacional). Mas todos os comentários que me chegam são equivocados. Não é uma perseguição aos artistas de rua, que são sempre muito aplaudidos em Florianópolis, mas à zona que se estabeleceu nas sinaleiras. Uma questão de ordem. Afinal, se os leitores não sabem, qualquer atividade comercial exercida nas ruas precisa de autorização do município para que os praticantes estejam dentro da lei.

Repito: não tenho nada contra os malabaristas. Mas, como disse o Cesar Valente no seu blog, eles bem que podem trabalhar em praças e outros locais públicos, onde não atrapalham o trânsito. Aliás, isso acontece muito em Florianópolis, no Largo da Alfândega e em toda a extensão do calçadão central. Eu mesmo já mostrei aqui fotos do artista circense que atravessa um círculo de facas e do grupo de índios equatorianos que canta e dança. E olha que, nestes casos, a prefeitura nem tem enchido a paciência dos artistas, inclusive daquelas estátuas vivas horrorosas.

Mas a vagabundagem que vende CDs e DVDs piratas, esta sim, a prefeitura conseguiu barrar. Alguns insistem, vendendo os produtos na surdina, mas sem escancarar com mostruários, como faziam criminosamente há algum tempo.

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6 responses to this post.

  1. Posted by Sergio Luiz da Silva on 22/07/2009 at 18:00

    Damião, concordo que a presença dos “malabaristas do sinal vermelho” (João Bosco)as vezes incomoda. Mas o incomodo não resulta, para mim, da complicação no transito de veículos. Fico incomodado com a situação, na maioria das vezes, humilhante como são tratados. Causa-me maior incomodo, por outro lado, a fala do secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis: “Não queremos esse tipo de trabalho aqui. Florianópolis limpou desde o início da fiscalização. Quero uma cidade com noção de organização administrativa” (DC On Line 20/08/2008 21h12min). Dois pontos para ponderar: (1) a retirada dos malabaristas ganhou um caráter de assepsia; (2)a noção de organização da cidade apregoada, a partir da retirada das “personas”. Tanto a assepsia proposta quanto a “noção de organização” – possuem um caráter questionável do ponto de vista social. Especialmente quando levamos em conta as formas de divulgação da Ilha (o paraíso na Terra). Abrimos as portas para os turistas (sem qualquer tipo de escrúpulos)e, ao mesmo tempo, limpamos a cidade do “alter ego” daqueles. A distinção entre turistas e vagabundos dá-se pela forma inóspita com que são recebidos e tratados estes últimos. O sociólogo Zygmunt Bauman faz uma análise precisa desse tipo de situação – e minha avaliação traz esse olhar. Em suma, “ruas limpas” e de “primeiro mundo” não estão destinadas aos residentes. Elas ganharão ares assépticos para os que que passam pela Ilha. Diz o secretário que(ainda no DC)”tanto artistas estrangeiros quanto brasileiros serão retirados da cidade”. Não demora muito (há quem defenda a idéia)teremos uma espécie de “checkpoint Charlie” numa cabeceira das pontes. Simbolicamente já dispomos do fosso. Talvez, em breve, alguem, de forma astuta, informe que possui um “projeto” de pontes elevadiças…

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  2. Esse Rauen é um fascista. O negócio deles é sim limpeza étnica.

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  3. Mambembes do asfalto

    Vejo o acender da luz sobre o palco, adornado de faixas brancas e pretas. Nas poltronas, uma platéia impaciente, vestida em armaduras de lata, com os pés emborrachados. O artista, um olho no equilíbrio outro no olhar da audiência, exibe sua graça repetitiva. Escravo do tempo da sinaleira, o malabarista nem sempre consegue a bilheteria desejada.
    Pois bem, a Prefeitura de Florianópolis quer acabar com o espetáculo, perseguindo os perigosos mambembes, ameaçadores da paz e da ordem. “A maioria deles são de fora”, dizem os administradores do Paço Municipal, que tanto vendem a imagem da linda Floripa, lá fora.
    Não faz muito tempo, placas encravadas no barro dos canteiros, cinicamente exibiam o alerta da prefeitura “Quem dá esmolas não dá futuro.” Chega de hipocrisia. Tirem, isto sim, as crianças das sinaleiras e os esmolentos profissionais. Usem os serviços de assistência social e dêem alternativa de trabalho e renda. A permanência dos mesmos completa o escárnio da miséria. E aquelas placas, agora em menor número, me fazem lembrar a tradicional e enjaulada recomendação zoológica para que não dêem comida aos animais.
    Assistindo os malabares, pago satisfeito. Às vezes não pago, somente sorrio. Outras vezes, nem sorrio, apenas paro e passo. E os gnomos, inofensivos artistas da polis, continuam ali, apenas trabalhando.
    A insensatez da prefeitura me faz lembrar do conto “Um Artista da Fome”, de Franz Kafka, onde o protagonista, o jejuador, era um artista que ficava dias sem comer, dentro de uma jaula forrada de palha. O espetáculo era jejuar diante dos olhos curiosos do povo. Kafka expõe, a indiferença diante do sofrimento da dor. E o espetáculo cessa com a morte do artista: “ Pois bem, limpem isto aqui! – ordenou o fiscal. Enterraram o artista da fome, com palha e tudo. Em seu lugar, puseram uma jovem pantera. Até mesmo as pessoas mais insensíveis acharam agradável ver o animal selvagem pulando na jaula que durante muito tempo tão lúgubre parecera.”
    Nesta ilha paradsíaca, o palco será para uma jovem pantera panfleteira, a serviço – quem sabe – de alguma imobiliária.
    Prefeito, o dinheiro é meu. E por favor, respeite o direito de livre expressão dos artistas de rua, garantido no ordenamento jurídico brasileiro.

    Murilo Silva, filósofo, animador cultural, chefe de gabinete do Deputado Padre Pedro Baldissera.

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  4. Posted by João on 23/07/2009 at 8:40

    Deixa a rapaziada brincar e trabalhar. Traveco e bebum pode e malabares não pode? Só na apresentação podemos ver quem é artista e quem finge que é artista. Os esforços da prefeitura deveriam ser aplicados para retirar a lixarada humana da Hercilio Luz, da Praça XV, do Largo da Alfândega e do centro da cidade como um todo (dar assistência pra esse pessoal, mandar pra terra natal, sei lá). Isso sim envergonha qualquer nativo ou residente em Desterro. Morei na Hercilio Luz e a rapaziada da cana urinava, defecava e dormia todo dia na minha porta. Os usuários de crack atormentavam alucinados. Na frente dos guardas municipais e ao lado do posto da PM. Mudou alguma coisa??? Mudou sim, eu fiz minhas malas e me mudei para um condomínio fechado na Trindade. Lá ninguém me incomoda, só os gaúchos em dia de Grêmio ou Inter (risos) e os Paulistas em dia de Curintia. Felizmente o AVAÍ VENCEU NA RESSACADA O GRÊMIO ontem e pude dormir com um sorriso no rosto e silêncio no prédio… hahahaha

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  5. Posted by Silvio on 27/07/2009 at 9:02

    Estava na hora de alguém tomar uma providencia sobre ess as coias inuteis….

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  6. Posted by Renato Garcia on 10/08/2009 at 16:22

    Damião, causa-me estranheza a sua fala ao concordar com a atitude do Secretário. Primeiro, por não concordar que atrapalhe o trânsito, se assim o fosse, deveríamos proibir também os inúmeros outdoors espalhados pela cidade. Os artistas estão, além de manifestar sua arte, ajudando-nos a passar o tempo enquanto esperamos a dura luz vermelha se apagar. Segundo, caso fosse analisada a Portaria baixada pelo senhor Rauen, veríamos que ela não coibe a distribuição de panfletos nas sinaleiras, algo que me incomoda muito mais que os humildes circenses. Terceiro, por falar em atividades nas ruas de Florianópolis, termino minha fala indagando-te: por quais razões ainda existem os “manobristas de rua”, atuantes em pleno horário comercial, em ruas de “zona azul”, em especial, em frente à Assembléia Legislativa, os quais cobram cinco reais para o carro não ser multado?

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