Toque de recolher

 

As pessoas se espantam com a história do toque de recolher para menores no município de Camboriú. É uma das cidades mais violentas de Santa Catarina. E sabem por quê? Porque a escória, expulsa de Balneário Camboriú por conta das ações da Polícia Militar e da prefeitura, foi morar no município vizinho. A vagabundagem se mudou para lá, e isso inclui os traficantes, que incomodam a gente boa de uma das cidades mais antigas de Santa Catarina (é a 18ª – ganhou a condição de município em 1884).

Todos sabemos que o tráfico vive da atuação de menores de idade, porque estes são inimputáveis. E não é diferente nas periferias de Biguaçu, São José ou Palhoça: os traficantes preferem crianças e adolescentes para fazer o serviço sujo, escolhendo especialmente os mais miseráveis, que são presas mais fáceis.

Quando impuseram (a prefeitura) o toque de recolher em Camboriú ouvi e li uma série de indignações. O problema é com a Constituição, com a liberdade de ir e vir. E talvez seja por isso que o país esteja transformado uma bagunça e a criminalidade tenha crescido tanto: quando eu era menino, vigorava a Constituição de 1946, que também assegurava inúmeros direitos à cidadania. Em 1964, a direita derrubou o presidente João Goulart. Três anos depois, editou uma Constituição mais dura, típica dos regimes ditatoriais. Ainda assim, algumas liberdades individuais eram garantidas (foram suprimidas mais severamente com o Ato Institucional Número 5, de 1968).

Então, mesmo antes do endurecimento do regime, lá por 1963-1964, o toque de recolher funcionava em todas as casas. Não era o poder público que determinava. Eram os pais. Me lembro até hoje da voz de minha mãe gritando: “Damião! Maurício! Marcelo!” (os três filhos mais velhos, nesta ordem). Nós andávamos pelas ruas próximas de casa, na praia de Camboriú (que virou Balneário em 20 de julho de 1964), jogando taco e bolinha de gude ou futebol. Quando começava a escurecer, fosse inverno ou verão, ouvíamos a voz de nossa mãe. Era o nosso toque de recolher. Que valia para todos os vizinhos que ainda eram crianças, como nós, ou adolescentes.

E sabem quem ficava nas ruas? Os pescadores, na praia. Ou os pais (homens), nos balcões das vendas, tomando um aperitivo antes do jantar. Oito da noite fechava tudo. E todos se recolhiam para jantar, ouvir música no rádio, fazer a lição de casa e, claro, pra cama às 10 da noite.

Era um mundo melhor? Sim, era um mundo melhor – e menor. Mas havia a família por trás das crianças e dos adolescentes.

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10 responses to this post.

  1. Faltou dizer Damião – Uma das cidades mais pobres de Santa Catarina. A cidade com mais evangélicos pentecostais do BRASIL, a cidade dos pastores ricos e rebanho miserável. Política e seitas religiosas fazem festa em Camboriú. O nome da cidade é GOSPEL CITY.

    Onde tem míséria, não tem educação. Só drogas e crime.
    A “zelite” quer o que?

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  2. Posted by SANTOS, Izidoro Azevedo dos ... on 19/07/2009 at 8:32

    É de admirar, porque lá, a administração proclama (de braços dados com os hoteleiros e as mais variadas igrejas, de olho no dinheiro dos otários dos vários cultos também, o que, aliás não fazem questão de esconder) que Camboriu é a terra das religiões. Assim o fizeram em duas ações populares que propus visando anular doações de terrenos do Município para a Igreja Católica e para a Igreja Batista Nacional Filadélfia.
    Será que, finalmente, as religiões não estão conseguindo mais criar/manter “cordeiros de Deus”, mansos, resignados, estúpidos?
    Aleluia.

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  3. Posted by SANTOS, Izidoro Azevedo dos ... on 19/07/2009 at 8:41

    Certo dia, indo ao forum de lá, passei deliberadamente por dentro de uma vila popular (“favela”) e só vi o Estado “assistindo” aos moradores com camburões. Lá estava o GAT ou coisa que o valha, prepotente, truculento, onipresente. Encostando na parede, manuseando, dando chutes e fazendo outros “carinhos” do gênero. Coisa de macho! Descarregando o recalque do salário aviltante que recebem nos pobres.
    O único serviço público essencial “eficiente”. De Posto de Saúde não vi sombra. Escola até vi, mas duvido, com os salários que pagam aos professores, que atendessem à exigência do art. 37 da Constituição Federal.
    E não esqueçam: pobre, sem política de planejamento familiar, profilha que nem Porquinho da Índia. Faz filho pra esquecer as agruras do dia a dia. Ou será para criar mais soldados pro tráfico e para derrubar as “elites”?
    Logo, logo, eles vão invadir o Balneário e escorraçar a classe média otária que vai tomar banho naquelas águas nojentas, sem tratamento de esgoto.
    Agora: igrejas! às Pampas, em cada esquina um boteco e um “templo”.

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  4. Posted by Sérgio on 19/07/2009 at 11:19

    A propósito, sobre a Gospel City, o maior “caça-niqueis” da igreja católica hoje, “dono” de uma rádio, é nascido e criado nesta cidade, assiduo frequentador de todos os tempols, e tem todo o know-how do bom “negócio”, que trouxe pras bandas de floripa…

    Aleluia, Aleluia

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  5. Damiao, tens que ressaltar o que levou ter este “municipio” tantos empobrecidos e desvalidos e sem rumo, como se fossem um bando de cachorros abandonados, pois cachorro quando é abandonado, fica um tonto pelas esquinas, esperando quem o adote.
    Pelo que sei deste municipio e o conheço bem, tudo começou com a construçao civil, em “Balneario Camboriu” nao confundir com “Camboriu” que fica do outro lado da estrada, ali na BR101, o trabalho na construçao, mio e ai deu no que deu, os patroes abandonaram aquele amontoado de gente na volta, onde se formou uma belicima favelança e hoje tao ai os espertoes de plantao colhendo os frutos.
    Interesante que é o mesmo caso e bem parecido com que ocorreu na bacia do Itacorubi e demais bairros onde a proliferaçao de espigoes, mingou depois que ergueram estas maravilhas em tudo que é terreno que existia, agora, o emprego nesta area, esta escasso e da mesma forma, se loteia lindas favelas com aval do poder publico.

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  6. Posted by SANTOS, Izidoro Azevedo dos ... on 20/07/2009 at 8:50

    Sérgio: dá o nome dele. Eu não sei quem é, e o grande público do Damião deve estar tão curioso quanto eu pra saber quem é o “dito cujo”.
    Outro detalhe: com o “Cristo Luz” (cuja possiblidade de ação popular já prescreveu – Que pena, porque acho que está até em área de preservação permanente), o Balneário vizinho, tentou adonar-se do filão religioso.
    Não conseguiu, pelo jeito, mas o Pavan elegeu-se. Ou o Pavan não foi responsável pela edificação daquele monstrengo?
    Tem mais: Joaçaba, com a estátua do Frei Bruno (com que a Mitra Diocesana de lá jura não ter nenhuma relação) está tentando seu lugarzinho ao sol.
    Pobre Santa Catarina (eta nomezinho monarquista), onde já se pensa também em levantar um Santo Antonio, na Laguna.
    Daqui a pouco nosso território vai virar um paliteiro de monumentos religiosos e quejandos.
    Vamos conseguir bater, em matéria de demonstração de atraso, aqueles Estados nordestinos que cultuam a memória do Frei Damião (que os evangélicos dizem ter sido um verdadeiro bandido, queimador de templos de outros cultos) e do “Padim Ciço”
    Logo o nosso Estado, onde a Igreja Luterana, trazida pelos colonos alemães, inaugurando a proliferação de arapucas (pra passarinho miudo) evangélicas, vinha fazendo uma razoável competição, em matéria de domínio do mercado da fé.

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  7. Tás phlodido mô pombo. O rastaquera tem uma fixação obstinada. Tenta falar de futebol e os pecados do mundo se espalharão pelo post… etc.

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  8. Posted by Sérgio on 20/07/2009 at 16:02

    Não vou dizer o nome, mas vou falar mais um pouco, daí fica mais fácil de saber… Há uns 6 ou 7 anos a Arquidiocese tem uma rádio, comprada com contibuição dos “arautos” (não confundam com dizimistas, que contribuem e mantém as paróquias). Ele é o manager, principal comunicador da rádio, milagreiro, exorcista e tem programa diário, bem cedinho numa TV local. E na certidão dele está escrito… nascido em Camboriú…. facinho facinho

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    • Posted by Ernesto on 21/07/2009 at 12:01

      Sérgio, a meu ver, vc. está sendo extremamente injusto com uma pessoa que tem feito um trabalho espiritual e comunitário invejável pela comunidade mais carente dos morros de Floripa.

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  9. Falta governo no estado, falta a maior idade penal de 15 anos como no Paraguai, falta ordem e progresso no nosso país que a bela e linda democracia de pernas abertas está transformando em anarquia.
    Daqui a pouco falta país e toque de recolher para todos.
    Menores e Maiores
    Uma lástima

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