Ainda a nossa biblioteca

Além de ser um bem cultural do Estado, a Biblioteca Pública continua servindo para pesquisas de muita gente, em especial aqueles estudantes que não têm recursos para comprar livros didáticos e outras obras de referência. Foi assim comigo: quando garoto, passava minhas horas livres na biblioteca, em busca de conhecimentos gerais e estudos específicos. No casarão da Rua Arcipreste Paiva tomei contato com os livros de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes. Ali eu podia ler todos os dias o Caderno B do Jornal do Brasil, o Correio do Povo e o Estado de S. Paulo. Ali comecei a me tornar poeta e jornalista. Como não tinha dinheiro para comprar livros, copiava os poemas de que mais gostava num caderno. E anotava num outro caderno os nomes dos filmes que estreavam no Rio e São Paulo, planejando assisti-los meses depois, nos nossos cinemas. Fiz pesquisas em jornais antigos também. Das minhas anotações sobre a história do teatro na Ilha surgiram as informações básicas para a primeira matéria que publiquei na grande imprensa – uma página inteira no Caderno de Sábado do Correio do Povo, em 1975. Por tudo isso, não apenas lamento, mas registro aqui, novamente, a minha profunda indignação com esse governo que pouco faz pela cultura. Embora, saibamos, a culpa não seja do pessoal da Fundação Catarinense de Cultura, tampouco de sua superintendente. Não falta gente capaz para administrar a nossa cultura. O que falta é governo, se é que me entendem. Governo de verdade, comprometido com sua gente. [Post atualizado e corrigido. Grato ao Lucian, que apontou dois cochilos meus].

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3 responses to this post.

  1. A biblioteca é uma questão pontual, mas ilustra com clareza os valores por trás desse governo. Não estamos falando de incentivo aos artistas locais, ou de incentivos a projetos educacionais (que já seria esperar demais dessa gente), mas de uma coisa óbvia e escandalosa: biblioteca, o ambiente por excelência da informação, memória, cultura, educação e cidadania.

    Um governo que tem a cara de pau de ignorar esse bem público despreza os valores que ele mais deveria representar e defender. Agindo assim, estão admitindo para si os adjetivos de medieval, burro, jeca, leviano, desinteressado, irresponsável.

    É triste demais isso, não tenho o menor prazer de ficar tocando a língua em LHS e cia. Não é brincadeira essa situação. Estão deixando um espaço público fundamental, um bem que é material e imaterial ao mesmo tempo, ser levado pelo poder implacável do tempo.

    (p.s.: acho que o poeta chama-se ManUel Bandeira)

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  2. (E Vinícius de MoraEs)

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  3. Posted by Roney Prazeres on 25/06/2009 at 16:38

    Damião, para o Estado brasileiro, em seus três níveis, cultura só é válida se dá retorno finaceiro. No mais é só discurso.
    Saudações Desterrenses

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