STF bagunçou a profissão de jornalista

 

O que se pode dizer sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a exigência do diploma de jornalista para o exercício profissional? No julgamento do STF prevaleceu uma tese antiga, de que o jornalismo é uma derivação da literatura, que não exige técnica ou formação acadêmica, mas talento.

OK, eu também considero fundamental que o jornalista seja talentoso, muito mais do que esforçado, dedicado ou caxias. E não temos dúvida de que há um universo de profissionais em atuação no mercado de trabalho que não tem a menor noção de nada, são péssimos em conhecimentos gerais, piores ainda em relação à literatura, à história do país, até mesmo à geografia. Quantos continuam escrevendo e dizendo “Ilha de Florianópolis” na mídia gauchesca que nos domina? Eles, os que ignoram a correção e o respeito à nossa terra, não só não querem aprender, como ainda são prepotentes.

Mas voltando ao julgamento: o que nos parece definitivamente estranho é que o STF tenha promovido um retrocesso tão extraordinário, voltando a tempos anteriores à própria ditadura militar. A regulamentação profissional, entendida como o registro no Ministério do Trabalho e a exigência do diploma após 1979, tinha o mérito de garantir seriedade às redações, acabando com a picaretagem que imperou durante muito tempo nos jornais, nas rádios e nas próprias emissoras de TV.

A quem interessa, a não ser aos patrões, a desregulamentação profissional? Voltaremos ao tempo em que os jornalistas recebiam gorjetas pelo trabalho que realizavam? Voltaremos ao tempo dos chamados “editores do pôr-do-sol”? Dos quebra-galhos de redação?

Em suma, a decisão do STF bagunçou a nossa profissão e, por consequência, desrespeitou a própria sociedade, que merece uma mídia séria e comprometida com a ética, a verdade, a correção.

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7 responses to this post.

  1. Não concordo que tenha bagunçado a profissão de jornalista, visto que você e outros são competentes,
    Quando criaram os primeiros jornais, rádios e depois Tv, já faziam jornalismo (palavra criada sabe lá por quem), depois inventaram Curso de Jornalismo para as faculdades faturarem mais uma mufunfa.
    Acontece que como em outras profissões tem aqueles s formandos em Jornalismo que fizeram o curso em barzinhos, boates, farras, trotes, festas e tiraram seu diploma e nunca tiveram uma atividade numa redação como eu tive na extinta revista Manchete.
    Estes estarão descartados do mercados e passaram para o mercado informal, reclamando que fizeram o curso e tiraram diploma, sem nenhuma competência, mas se vc fizer uma prova quem nem da OAB com ele e perguntar o nome das bandas, bares da época em que estudaram, saberão tirar de letra.
    E outros que se formaram em outras áreas e autodidatas realmente competentes, se estabilizarão e galgarão seu verdadeiro sucesso, com diploma ou não.
    Aí sim veremos uma disputa válida, de quem é competente se estabelece e quem não é se arremesse para uma posição que seja competente que nem você e outros jornalistas.
    Abraços
    Otavio Di Mello (Com diploma de Técnico de Seguros, Turismo, outros curso e Falta ainda o curso de Blogueiro, quem sabe criam para faturar mais nas faculdades).

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  2. Posted by Alex on 18/06/2009 at 8:30

    Segundo o ministro do STF o jornalismo é uma forma de literatura, uma arte….
    Imagino que para o ministro o compromisso com a verdade esteja totalmente fora de questão. Pra emitir um julgamento tosco desses, juíz também não precisaria de formação superior.

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  3. Posted by Breno on 18/06/2009 at 9:14

    Damião, é lamentável que os ministros do STF confundam escrever bem com exercício do jornalismo. É óbvio que qualquer pessoa, com boa formação da nossa língua e talento, pode escrever. Minha filha, com 14 anos, escreve que é uma maravilha. Melhor do que muitos jornalistas e até escritores. Mas isso não a qualifica a produzir um texto jornalístico. Se a formação está ruim, que sejam exigidos das faculdades melhores cursos e professores. Como a leia da física não pode ser mudada pelo STF, pelo menos penso eu, para cada ação há uma reação. O mercado (o sério) continuará a exigir profissionais competentes que, além de escrever bem, tenham ética e caráter. Dessa forma, sempre existirá lugar para o jornalista capacitado. E o principal, que tenha caráter para olhar no olho do entrevistado sem medo de que irá repórtar os fatos reais. Sem omissão, sem edição!

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  4. Posted by velho bruxo on 18/06/2009 at 9:20

    Damião. eu acho que mais uma vez foi legislado em causa propria. Vejamos, se é um jornalista formado em uma Universidade (ruim ou bom) ele tem compromisso com que escreve e denuncia, mas se for um Zé mané qualquer pode ser comprado ou ameaçado, pois não existe uma legislação que garanta sua profissão,até eu posso ser jornalista no seu lugar se a empresa quizer, portanto vc tera ver muito bem, o que e contra quem, escreve senão sua vaga sera de alguem que não tem compromisso algum.

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  5. Posted by Cesar Laus on 18/06/2009 at 11:20

    Meus amigos.

    Ilusão. Uma redação, pra quem trabalha nela, tudo passa pelo redator e pelo editor. Estes deverão ser bons. O resto pode ser qquer um. Basta custar pouco. É assim a realizadade. O resto é palpite de quem nunca entrou em uma redação.

    Teremos um baixa da qualidade dos textos originais em função da redução de custos. Dos redatores e editores sera cobrado muito mais. Por menos, lógico. Dos que fazem os textos iniciais será cobrado mais por menos.

    O irritante é ver os ministros do STF dando exemplos das excessões. Não da regra. Aliás, os piores ministros dos últimos 20 anos. Nem na ditadura eles foram tão ruins.

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  6. Damião,
    Minha preocupação com o fim da exigência do diploma está no aumento da picaretagem e o vilipendio da profissão. Foi chocante. Não a decisão em si, porque era palpável antes mesmo de entrar na pauta do STF, mas com a facilidade e tranqulidade com que a coisa aconteceu, com os argumentos utilizados, e com a naturalidade com que notícia foi dada. Eu sei que sou um dos poucos que, ainda, pensa assim, do ponto de vista da classe, mas escrevam, os jornalistas foram os primeiros. Vem ai uma onda de desregulamentação. Ficou claro que a porteira está aberta e os trabalhadores, não apenas os jornalistas, perderam mais essa.

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  7. O Jornalismo é naturalmente opinativo e para isto não se exige diploma, esta foi a tônica da decisão.

    Por outro lado questiono duas questões: A) Faculdades de Faz de Contas; B) O jornalista não escreve o que quer ou que acha certo, mas o que jornal ou mídia querem, ou você acha que Willian Bonner tem autonomia para achar o que é certo e o que é errado?

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