Por que choramos pelo Brasil

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Quando os telejornais mostram a população do Norte do País passando fome depois de semanas e semanas enfrentando enchentes, só me ocorre uma pergunta: onde está o Estado brasileiro? Onde está Lula? Onde estão os governadores? Quem chora por essa gente? O blogueiro, o vizinho do blogueiro, a mãe do blogueiro, alguns amigos? E por que choramos?

Eu sei que são perguntas sem resposta. O Estado está ausente, distante dos problemas, seja no Maranhão, seja em Santa Catarina. Não cuida do que deveria (saúde, educação, segurança), vai cuidar de flagelados da seca e das enchentes?!?

O Congresso Nacional, infelizmente, contraria todos os princípios da ética, dos bons costumes, da decência. Gasta milhões com besteiras, com vaidades, com viagens e mordomias. Os mesmos telejornais que despejam notícias sobre a pouca vergonha praticada por uma parte expressiva dos nossos representantes “populares”, mostram na sequência uma mulher com o filho subnutrido no colo. Ela chora, o bebê chora, eu choro, indignado.

Minha indignação não tem limites. Porque eu vejo naquela mulher uma eleitora de Lula, de seu governador, de seu prefeito, de seus vereadores. Mas ela não vale nada, exceto quando é convocada para participar do processo eleitoral, religiosamente, de dois em dois anos.

Sei que há muitos políticos sérios no Brasil, muita gente que se preocupa com as questões sociais. Como há também muitos crápulas, que utilizam seus cargos para se dar bem, para praticar aquilo que o personagem Justo Veríssimo tão bem pregava no quadro humorístico da Globo. Justo Veríssimo era o retrato da nossa tragédia política, isso lá nos anos 70. Personagem recorrente, permanente, indispensável (ou dispensável?) no nosso cotidiano.

Essas tragédias de cheias e longos períodos de seca, como acontecem agora, são fatos que alcançam longo curso na nossa História. Já foram temas de obras literárias, de documentários, de filmes de ficção e peças de teatro. Vidas Secas (Graciliano Ramos), um painel sobre o Nordeste abandonado, é uma obra de 1938. Geografia da Fome (Josué de Castro), um painel sociológico sobre o Brasil que abandona seus filhos à própria sorte, é uma obra de 1946. Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto) é obra de 1956. E como são atuais, apesar do Bolsa-Família, da evolução tecnológica, da modernidade e da fajutice política!

O Brasil mudou pouco desde 1938, 1946, 1956. E nós choramos, continuamos chorando todos os dias!

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One response to this post.

  1. E agora

    Que vergonha, jogamos roupas e comida fora. Qual será a solidariedade desse governo

    Responder

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