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Crônica do Olsen

Olá, camaradas, salve!

Francamente falando acredito que não há saída…

A não ser a famosa e folclórica saída proposta no período da ditadura, a única possível para a época, “a do aeroporto do Galeão”…

Quando não há saída, fica o humor… Remember do “Pasquim”?

A música “Silence is Golden” foi um dos sucessos de um grupo chamado “Tremeloes”, assim mesmo, sem acento…

Os Tremeloes foram preferidos aos Beatles por um executivo da Decca (o cara deve estar procurando emprego até hoje) em 1962 no início da carreira…

Com o carinho de sempre do poeta!

DIÁRIO DA PROVYNCIA XIII

Olsen Jr.

(olsenjr@matrix.com.br)

OS CÃES

   Várias pessoas que conheço aqui em Florianópolis vieram passar um final de semana, normalmente um feriado e acabaram ficando. Alguns já moram no pedaço há mais de 25 anos. Porém, e sempre tem um “porém” como lembrava o amigo dramaturgo Plínio Marcos, outros não aguentaram sequer dois meses. Um deles alegou para sua partida o fato de que aqui as pessoas falam demais, exemplificava “você vai à panificadora, a atendente puxa assunto e a conversa não termina mais enquanto os outros clientes têm de ficar ouvindo o palavreado e esperando para ser atendidos; você pega um ônibus, acontece o mesmo com o cobrador, e assim vai, é no supermercado, na casa lotérica e até em encontros fortuitos nos espaços públicos, o que deveria ser apenas um cumprimento acaba desdobrando-se numa catilinária sem hora para acabar”, e concluía “está louco, não dá pra aguentar isso”…

   Em algumas questões relativas ao comportamento, credite-se ao hábito ou ao bucolismo que ainda conservamos.

   Na agência lotérica onde espero para pagar a conta de luz (que já chegou com o prazo de vencimento excedido em dois dias) a fila está lá fora. Na porta estreita em cima de um tapete de sisal, três cuscos formam uma espécie de comitê de boas-vindas. O sol da manhã oficializa o convite para que se espraiem ali na frente e deixem reluzir a pelagem que abarca as carcaças bem nutridas dos animais o que denota a boa procedência de seus lares.

   Os usuários dos serviços da agência se limitam em erguer os pés quando passam por eles ou então, em desviarem-se de um ou de outro quando resolvem caminhar no espaço restrito da abertura da porta.

   “Esses cachorros poderiam sair daqui” afirma um senhor que reluta em entrar ou permanecer ali no limiar da porta; alguém próximo de mim faz menção de enxotar os cães, mas desiste logo ante a indiferença deles por qualquer apelo.

   “Quem deixaria esses cachorros soltos por aí?”, resolve questionar uma mulher… “Vagabundos é que eles não são”, constata outro “é porque eles não têm cara de vira-latas com esses pelos brilhantes”, observa um terceiro…

   Enquanto se comentam sobre as dóceis animálias, um nativo começa a contar a história de como já ganhou três vezes na loteria. Algumas pessoas fingem não prestar atenção na conversa, mas não desgrudam os ouvidos e também os olhos, ora na indistinta narrativa do “sortudo” ora na presença dos bichos, um que está deitado e os outros dois que parecem exercer uma severa vigilância sobre o espaço iluminado pelo sol onde estão.

   O sujeito da loteria disse que foi muito infeliz na vez em que pensou, poderia ter ganhado muito, porque houve “trocentos” acertadores naquele concurso e ele acabou ganhando pouco.

   “É incrível a quantidade de cachorros soltos por aí”, diz alguém… “Ali mesmo, em frente do supermercado, esses dias, contei oito cachorros desses de rua”…

   “Mas no geral”, continua o “premiado”, “se computar tudo o que apostei e o que ganhei, estou no lucro ainda”… As pessoas ficam em silêncio por momentos como se estivessem avaliando o que ele tinha ganhado com o que tinha gastado naquelas apostas, todos naturalmente acreditando piamente no que estava sendo dito.

      “Acho que uma pessoa que gosta de cães não deveria deixá-los soltos por aí”, experimenta alguém para continuar o papo. “Eu concordo, você tem de dar condições para os bichos, mas mantê-los num lugar apropriado”, alimenta o hein-hein-hein um outro que parecia entender do que estava dizendo.

   Naquela meia hora em que permaneci no local, a conversa não saiu disso. Lembro que contei mais de uma dezena de vezes os ladrilhos da parede nas costas dos caixas que atendiam a todos com infiel indiferença…

   Quando saí, a arenga prosseguia sem dar mostras de se esvair por falta de iniciativa, do “ganhador” afirmando “aposto sempre nos mesmos números, acho que a gente tem mais chance, com estes, por exemplo, já fiz uma quadra”…

   Já ultrapassando a porta, pude ouvir “sem contar a grande quantidade de cachorros que se encontra morta por aí”… Menos esses, penso, enquanto me desvio de um deles, bem nutrido, luzidio e faceiro e que me lembrava certo político, mas era outra história!

Crônica do Olsen

DIÁRIO DA PROVYNCIA XI 

Olsen Jr.

(olsenjr@matrix.com.br

QUEM COPIOU DE QUEM? 

   Não se deve acreditar em tudo o que está na internet ou que é repassado por pessoas que, desavisadamente, creem nela como informação fidedigna ou “fonte” confiável.

   Aqueles que deveriam ter “espírito crítico”, jornalistas principalmente, precisam “checar” determinados conhecimentos dados como definitivo.

   Sei que ninguém faz nada “por mal”, mas aí reside o “mal”… A ingenuidade é mãe da imprudência, filha da ignorância e neta do desatino, todos aparentados do equívoco.

   Recebi ontem por e-mail um vídeo com o Frank Sinatra interpretando “My Way” e afirmando que o compositor e cantor norte-americano Paul Anka (autor da versão inglesa) havia ganhado “milhões” de dólares com a música e a ação que lhe movera o compositor e cantor francês Claude François que morreu sem ver o término do processo.

   A pessoa que me enviou o material é sensível, amante das boas coisas da vida e a ideia era compartilhar o “achado” e trazer algumas “informações” adicionais.

   Agradeço esse compartilhamento global, mas vamos aos fatos. Em 1967, o compositor francês Claude François fez com Jacques Revaux a música “Comme d’habitude” (Como de Costume) e que foi gravada pelo primeiro. O também compositor e cantor norte-americano, Paul Anka fez uma versão para o inglês que chamou de “My Way” (Meu Caminho) e cuja letra não tem nada a ver com a “original” francesa, mas a música é exatamente a mesma (basta acessar no Google: Comme d’habitude/Claude François) e que foi gravada em 1968 por Frank Sinatra, uma maravilha. Só outro dado, este sim, adicional, tudo correu bem até o Elvis Presley, em 1971 gravar a mesma música (diz a lenda que the old Frank Sinatra jamais o perdoou) porque a versão do Elvis “matou a pau”… Gostos à parte, desconheço o tal processo, mas não é difícil imaginar a interpretação do juiz. Digo isso pensando no grupo “Renato e Seus Blue Caps (cujo nome foi “chupado” de Gene Vincent & The Blue Caps) um dos papas do rockabilly, autor de “Be-Bo-A-Lula”, 1956 junto com Carl Perkins (“Blue Suede Shoes”, 1956) e Eddie Cochran (“Summertime blues”, 1958) de quem os Beatles eram “fãs”… O “nosso” Renato e Seus Blue Caps devem grande parte do sucesso aos Beatles, eles se apropriavam das músicas, mas faziam “versões” que não tinham nada a ver com a letra original. As músicas eram apresentadas assim: “Até o Fim” (You Won’t See Me – Lennon/McCartney -  Vers.: Lillian Knapp) ou “Dona do Meu Coração” (Run For Your Love – John Lennon/Paul McCartney – Vers.: Renato Barros).

   Mas a má fé fica caracterizada quando você lê, por exemplo, na apresentação de um disco: “músicas e letras” de Roberto Carlos… Vejam e escutem essa “Forget Him”, de Bobby Rydell (1963) para conhecer de onde saiu a música “Esqueça” ou então, “Road Hog”, de John D. Loudermilk (1960) e o “Calhambeque”, ambas foram sucesso do “Rei”, na mesma batida…

    A canção “Auld Lang Syne”, do Reino Unido (que foi construída em cima de um poema de Robert Burns em 1788) e se tornou popular nas “despedidas” ou para celebrar o ano novo. Foi transplantada para todos os países. No Brasil ganhou uma versão de Alberto Ribeiro e Carlos Alberto Ferreira Braga (o “Braguinha”) conhecida como a “Valsa da Despedida” e nesse caso se justifica uma “versão” adaptando-a as circunstâncias de cada região o que não impede e se exige é o (re)conhecimento de “sua” origem e popularidade ou a consciência disso.

   Na condição de autor sou avesso a essa permissividade que admite a recriação de um trabalho alheio individual e personalíssimo, portanto por terceiros. Salvo por algo ligado ao folclore em que tal adaptação quase sempre é necessária. Uma boa música sustenta e carrega qualquer letra medíocre, se isso não fosse verdade, os Beatles (do começo da carreira, em 1962) não existiriam. Recentemente Rita Lee fez um CD só com músicas dos Beatles. Na canção “Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar” (Here There and Everywhere – Lennon – McCartney) ela diz lá pelas tantas: “ I love you pra chuchu /Se você não está perto eu fico jururu/ Tudo azul, mas sem você eu fico blue”…

   O amigo e escritor Mário Prata “adorou”… Com todo o respeito, duvido que John Lennon e Paul McCartney concordassem, fica a dúvida, mas qualquer um pode entender essa preocupação… Ah! Quase esqueço, qualquer um não significa um qualquer!

Crônica do Olsen

Olá, camaradas, salve!

O casamento da filha mais velha (do meu irmão mais novo) no Norte do estado me pôs fora do ar por alguns dias…  

Some-se ainda alguns problemas que causo (involuntariamente) ao dedilhar essa máquina e passaram-se mais outros dias…

Tergiverso para não repetir o que disse o quadrinista norte-americano, Charles Schultz (criador de “Peanuts”) “Adoro a humanidade. O que não suporto são as pessoas”…

Cada vez mais enfezado e mais recluso, um homem das cavernas moderno… Se é que isso faz sentido… Mas é assim que me sinto, por razões – entre outras – aí expostas…

Vocês viram o “espaço” que os jornais catarinenses deram para a morte de Johnny Alf?

Vocês percebem o espaço que qualquer ladrãozinho ou traficante recebe diariamente?  

Acabou-se a “hierarquia” no noticiário… Não se distingue mais entre o meliante e o artista… A não ser que se considerem os políticos… Well, esses trapaceiam com “arte”… Não reconhecer isso, seria trapacear também…

Minha homenagem ao José Alfredo da Silva, Johnny Alf para os amigos…

Com o carinho de sempre, do poeta! 

DIÁRIO DA PROVYNCIA IX 

Olsen Jr.

(olsenjr@matrix.com.br)

 A SEGUNDA MORTE DE JOHNNY ALF 

    O descaso pelo talento (musical, literário, artístico) de alguém que se conhece e que (con)vive em nosso meio não é um atributo “só” brasileiro. Tampouco, a apropriação do produto desse talento de maneira efetiva, mas dissimulada por (e para) terceiros, a pretexto de um “novo” aprendizado paralelo e espontâneo como um esforço individual independente constitui-se em algo novo ou pode ser tomado como se fosse um comportamento “original”.

   Em 1938, o escritor Scott Fitzgerald, já convivendo com a colunista Sheilah Graham, descobre por acaso no “Los Angeles Times” que o teatro Pasadena iria apresentar uma versão teatral do conto “O diamante tão grande quanto o Ritz”… Julgando ser um aceno para um futuro début na Broadway, ele e Sheilah comparecem ao evento em uma limusine com motorista e vestidos a rigor… Mais tarde descobrem que se tratava de um ensaio com um grupo universitário, e um deles – ao percebê-los na assistência elegantemente vestidos – indaga quem são? — “Sou Scott Fitzgerald, responde — o autor do texto”… “O quê! Surpreende-se o universitário — você está vivo?”. 

   Algumas pessoas carregam essa aura, transformam-se em “lendas” ainda em vida, como ocorreu na música com Roy Orbinson, por exemplo… E com o nosso Alfredo José da Silva, heterônimo Johnny Alf, seu nome artístico.

   Ambos foram gradativamente esquecidos, deixados de lado, a diferença é que o músico norte-americano teve o resgate de sua história e importância processadas em vida e morreu com o pé na estrada tocando na banda “The Traveling Wilburys”, junto com George Harrison, Bob Dylan, Jeff Lynne, Tom Petty e Roy Orbison, naturalmente e por puro diletantismo…

   O pai de Alfredo era cabo do exército e morreu quando o menino tinha três anos de idade. A mãe era empregada doméstica e foi na família onde ela trabalhava que ele encontrou apoio para estudar piano. Por seis anos estudou música clássica, mas não resistiu ao apelo popular de seus ídolos, Cole Porter e George Gershwin e as trilhas sonoras dos filmes norte-americanos. Foi no Instituto Brasil-Estados Unidos onde aprendeu inglês e ganhou o apelido, adotado posteriormente, os professores o chamavam de Alf e uma amiga sugeriu o Johnny e aos 14 anos formou sua primeira banda.

   Aos 25 anos quando tocava em boates, clubes, bares eram assíduos na platéia algumas figuras que ganhariam notoriedade como músicos, compositores e intérpretes, entre eles, Carlos Lyra, Sylvinha Telles, Lúcio Alves, Tom Jobim, Billy Blanco, João Donato, Dolores Duran, João Gilberto, Newton Mendonça, Bebeto Castilho, Roberto Menescal e Nara Leão, entre outros.

   Juntar o ritmo do samba com as harmonias do jazz e da música erudita, isso o tornou único e também o fizeram conhecido. Aquele jeito intimista de cantar, como se estivesse sozinho em uma sala, que hoje causa admiração em João Gilberto, well, Johnny Alf já praticava no início da década de 1950…

   … Mas os cultuadores da bossa-nova que chegou depois, nunca lhe deram crédito…

Reconhecimento que ele talvez não esperasse, mas que estava sempre muito aquém do seu virtuosismo. Tom Jobim o chamava de “Genialf”.

   Luís Antônio Giron em seu texto crítico por ocasião da morte do artista, na Revista “Época”, afirma que “Johnny Alf não foi um “precursor”, como todo o mundo repete sem pensar. É melhor chamá-lo de fundador da moderna canção brasileira”.

    Cidadão humilde, tímido e como todo homem de talento, extremamente generoso com aqueles que tentavam lhe seguir os passos, mesmo não lhe reconhecendo publicamente a influência.

   A morte num asilo de velhos (casa de repouso é o cacete) em São Paulo, no dia 04 de março, aos 80 anos, do artista, compositor, músico de gênio, Alfredo José da Silva, digo, Johnny Alf, deve ter surpreendido todos que o conheceram, os que se lembravam que ele havia existido, os amigos que se afastaram dele e até e principalmente aqueles que beberam na fonte, no que era cult com o nome de samba-jazz (cinco anos antes de a bossa nova nascer) estes, como se viu na televisão, num misto patético e hipócrita de espanto e arrependimento, num pranto repetido quase afirmando, numa paródia daquele universitário em 1938 falando de Fitzgerald, “mas ele já não estava morto!”.

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