Carlos Damião

[Pausa] Totó de bom gosto

04/11/2009 · Deixe um comentário

totó

Um momento de pausa neste cotidiano tão triste e brutal: flagrei o totó na praia de Ganchos, no entardecer da última sexta-feira. Bom gosto ele tem: vive num lugar que é dos mais lindos de Santa Catarina. [Pra quem não sabe: Ganchos, que completa 46 anos nesta sexta-feira, recebeu o nome, em 1963, de Governador Celso Ramos. Nada a ver com a poesia do lugar].

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Alguém tem que ser responsabilizado

04/11/2009 · 2 Comentários

O diretor de Administração Penal do Estado, Hudson Queiroz, foi exonerado hoje pelo governador Luiz Henrique. É pouco. Alguém tem que responder diretamente pelo conteúdo do vídeo e por sua divulgação tardia. Hudson era apenas uma das pontas dessa grande incompetência (e despreparo)  que marca a administração da segurança pública estadual.

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Direitos humanos – pra valer ou pra constar?

04/11/2009 · 2 Comentários

Comentaristas estão se pegando, aqui no blog, por causa do episódio envolvendo o Estado – seus governantes, a bem dizer – com a agressão a presos em São Pedro de Alcântara e Tijucas.

Calma, gente. Não resta a menor dúvida de que o Estado não pode agredir encarcerados, pouco importa o crime que os presos tenham cometido. Eles já estão cumprindo um castigo violento (que é o cárcere). Esse parece ser um fato consolidado internacionalmente: torturar é um crime contra a humanidade, contra os mais elementares direitos humanos. Pior ainda é torturar quem já está em situação de inferioridade (encarcerado). É crime igual ou pior do que o cometido por quem foi condenado, está preso e, nessa condição,  recebe porradas a torto e a direito.

Além de tudo é uma covardia inominável. Como é covardia (e crime de responsabilidade) segurar um vídeo daqueles por 19 meses, para utilizá-lo na hora mais adequada, como instrumento de chantagem, de pressão ou aniquilamento de adversários. Nem Maquiavel foi tão sórdido na defesa de suas teses.

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Deputados reagem a agressões contra presos

03/11/2009 · 5 Comentários

Pode sair uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa para investigar a denúncia sobre os presos torturados em São Pedro de Alcântara e Tijucas. Amanhã, às 10 horas, haverá uma reunião conjunta dos parlamentares, com a possível presença do secretário da Segurança Pública, Ronaldo Benedet.

O secretário está se defendendo em relação ao problema, porque sua secretaria não teria nada a ver com o sistema prisional – subordinado à Secretaria de Justiça e Cidadania (sic), comandada pelo secretário Justiniano Pedroso.

Mas a verdade é que, para a população, a divisão burocrática (e ineficaz) não importa muito. O que interessa é que o sujeito preso é uma questão de justiça, cidadania e segurança pública. É algo que esse governo etéreo não entende muito bem, porque vive num universo paralelo, o universo da faceirice primeiro-mundista criada pela Soborne palaciana.

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Novembrada

03/11/2009 · 6 Comentários

Fechou o pau no Terminal Integrado do Centro (Ticen). Populares indignados quebraram alguns equipamentos e também os vidros dos guichês. Uma reação indignada à paralisação – não comunicada – do sistema de transporte coletivo, desencadeada pelo sindicato de motoristas e cobradores. A população não tem nada a ver com a falta de sintonia entre o sindicato e a prefeitura. E reage porque também está farta de tudo. Só quem usa os nossos ônibus sabe o que significa falta de conforto e falta de horários, entre outros graves problemas. E a questão não está na forma como as empresas administram, mas na ausência de uma política municipal de transporte coletivo. Esse é o nó, essa é a caixa preta — o “toca-de-qualquer-jeito” que caracteriza o estilo improvisado, ausente e distante da nossa administração municipal.

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Mais uma prova de que a zona continua

03/11/2009 · Deixe um comentário

A confirmação de que Florianópolis virou uma zona: o transporte coletivo paralisou as atividades há poucos minutos. Ficará parado durante duas horas, em protesto contra a possibilidade de extinção da função de cobrador de ônibus, contrariando um acordo assinado há três meses com o sindicato da categoria.

Os trabalhadores do setor protestam também contra o projeto que prevê a privatização da Zona Azul, a ser votado hoje à noite na Câmara de Vereadores.

É claro que o transporte coletivo não tem nada a ver com Zona Azul. Mas o que se está discutindo não é isso. É a desfaçatez com que se quer tirar a Zona Azul do controle do poder público, não se sabe (ou se sabe, vá lá) com quais objetivos.

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Agressões a presos: tudo muito calculado

03/11/2009 · 18 Comentários

O que escrevi aqui, ontem, às 9h55, não era nada sem sentido. Vejam o que está no Notícias do Dia de hoje:

“A categoria (agentes prisionais) desconfia que a aparição do vídeo três dias antes da data em que anunciariam um possível começo de greve, caso o governo não conceda um plano de salários, pode ser uma jogada ‘orquestrada’ para frear a ação dos trabalhadores. O vídeo data de fevereiro de 2008. ‘Não concordamos com isso, mas é estranho que essas imagens surjam justamente agora’, disse o presidente da Associação dos Agentes e Funcionários da Penitenciária (Puma), Paulo de Bem. ‘Essas imagens só podem ter sido feitas por parte de membros do governo, para atacar num momento de mobilização’, acrescenta nota divulgada pelo presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado, Mário Antônio da Silva.

Segundo Paulo de Bem, as operações são vistoriadas pelo diretor do Departamento Estadual de Administração Penal (Deap), Hudson Queiroz. Paulo ainda observa que o vídeo não deve ter sido feito câmera escondida, já que é praxe filmar as ações de contenção para avaliar o procedimento. Ontem, em entrevista ao programa Jornal do Meio-Dia, Hudson disse que participou da operação em fevereiro, mas não viu o ato de violência no banheiro do presídio. Ele disse não saber se as imagens são referentes à transferência de presos em fevereiro e que o material pode ter sido editado”.

Vivêssemos num país sério, todos os agentes que espancaram presos já estariam demitidos. Toda a cúpula da segurança pública já teria sido espinafrada. E o governo estaria sob investigação da Justiça, uma vez que é o responsável por tudo quanto acontece nos presídios, nas escolas, nos hospitais, nos postos de saúde, nos quartéis da PM, nas delegacias de polícia etc.

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A zona (que não é a azul) continua

03/11/2009 · 1 Comentário

Vamos à verdade sobre a Paulo Fontes: tudo funciona muito bem no horário de trabalho dos guardas municipais. Depois que eles vão embora, o que acontece? Os carros invadem a avenida, derrubam os cones e voltam a trafegar normalmente, inclusive táxis, no sentido Beira-mar – Centro. Eu vi isso acontecer no domingo à noite, quando voltei de viagem.

Vão fazer calçadão? Que bonito, humano, civilizado. Mas vão colocar alguém para cuidar? Claro que não. Vejam o que acontece na Rua João Pinto: automóveis particulares trafegam o tempo inteiro, pra cá e pra lá, como se a rua continuasse sendo dos carros. No calçadão central da Felipe Schmidt são os caminhões de carga dos grandes magazines e os carros-fortes que transportam dinheiro. Usam e abusam do espaço exclusivo dos pedestres. E não há um policial militar, um guarda municipal, alguém que ponha ordem na coisa. O que me leva a repetir um bordão que lancei aqui outro dia: Florianópolis virou uma zona.

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A atualidade de Todos os Homens do Presidente

02/11/2009 · Deixe um comentário

Todos-os-Homens-do-Presidente-8

Dustin Hoffmann, Robert Redford e Jason Robards (terceiro da esquerda para a direita). Robards ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme Todos os Homens do Presidente 

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Aproveitei o feriadão para colocar algumas coisas de trabalho em ordem e assistir de novo um de meus filmes favoritos, Todos os Homens do Presidente, de Alan J. Pakula, com Robert Redford e Dustin Hoffmann, produção de 1976.

Todos os Homens… é uma aula direta de jornalismo e cinema. Aula antiga, de 33 anos, que se passa grande parte do tempo dentro de uma redação de verdade, a do Washington Post.

A história, para quem não conhece é a seguinte – e bem sintética: em 1972, o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon era candidato à reeleição pelo Partido Republicano. Um incidente aparentemente banal desperta a curiosidade dos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, do Washington Post: um grupo de cubanos refugiados nos EUA foi flagrado na tentativa de assalto à sede do partido adversário, o Democrata. Bernstein e Woodward se entregam a uma investigação sem precedentes na história estadunidense. E acabam juntando as peças de um imenso e sórdido quebra-cabeças, envolvendo personagens diversos do Partido Republicano, inclusive o presidente da República, numa trama de espionagem e sabotagem. Pressionado pelos fatos, Nixon acabou renunciando ao segundo mandato em 1974.

Curiosamente, o filme se mantém atual, apesar da defasagem tecnológica relacionada à redação (real), aos automóveis e aos equipamentos em geral. Mas isso não importa quando um filme é um clássico. O que interessa é o enredo em si, a forma como foi filmado e como se transformou na obra-prima de Pakula, nascido em 1928 e morto em 1998. E o mais fascinante é a capacidade que o diretor e os atores tiveram em demonstrar como é que se faz política no velho estilo coronelista e corrupto, pouco importa que tenha sido com o Partido Republicano nos Estados Unidos há 37 anos, pouco importa que seja no Brasil de hoje, com o PMDB fisiológico e tantas outras tranqueiras partidárias e personagens repugnantes, cansativos, ridículos… [Que me perdoem alguns amigos que ainda acreditam no PMDB, aquele MDB do doutor Ulysses].

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Em defesa de São Pedro de Alcântara

02/11/2009 · 2 Comentários

Comentário do advogado Roberto Stähelin, que nasceu e mora em São Pedro de Alcântara, a propósito da citação do município na mídia nacional, por conta das violências cometidas no interior da penitenciária estadual implantada lá:

É por esta e outras razões que lutamos tanto contra a instalação da Penitenciária em São Pedro de Alcântara. Não tiveram nenhuma preocupação com os aspectos culturais e históricos da nossa cidade, que mereciam ser preservados. Hoje, aliás, disparei vários e-mails para veículos da imprensa reclamando das chamadas de seus noticiosos, quase todos dizendo “violência em S. P. de Alcântara…” ou algo parecido. A violência e os maus-tratos aconteceram dentro, no interior, no âmbito do Complexo Penitenciário do Estado (nome dado por Lei Estadual) LOCALIZADO em S. Pedro de Alcântara e NÃO foram praticados por seus moradores e também na sua cidade. Para os menos avisados, parece que a cidade é que é violenta. A ordeira e pacata São Pedro de Alcântara não merece estar associada a tudo isso…Ontem, aliás, aconteceu mais um evento comemorativo dos 180 anos da Imigração Alemã em nosso Estado, com a presença, inclusive, do governador Luiz Henrique,  e nenhuma menção qualquer nos veículos da RBS…Daí dói…

Eu assino embaixo, meu caro Roberto — e meus caros tantos amigos que vivem na pequena e maravilhosa São Pedro de Alcântara.

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