Vivo fosse, o mais destacado colunista político brasileiro em todos os tempos, Carlos Castello Branco, teria completado 90 anos em junho deste ano. Ele morreu aos 73, em 1993. No antigo jornal O Estado, havia um estafeta que era encarregado de receber e distribuir as mensagens do telex (o e–mail da época) destinadas à redação. Esperto, o garoto sabia bem o que era para política, economia, nacional, interior ou esportes, as editorias que mais usavam o noticiário recebido por aquele meio.
Todos os dias, tinha que puxar do telex as colunas de Carlos Castello Branco (conhecido como Castello) e João Saldanha, o técnico que preparou a vitoriosa seleção de 1970 e era comentarista esportivo do Jornal do Brasil. Toninho Kowalsky, secretário de redação, perguntava todos os dias ao rapaz: “Anísio, já chegou o Castello? Já chegou o Saldanha?”. Tanto perguntou que, gozador como poucos, passou a encurtar a pergunta: “Castanha, já chegaram as colunas?”. Anísio, que era Anísio até aquele dia, passou a ser chamado de Castanha (Castello + Saldanha) definitivamente. Ao ponto que muitos funcionários novos que chegavam ao jornal achavam mesmo que o nome dele fosse Castanha.
Hoje em dia é funcionário da Transol – e continua sendo chamado de Castanha, ao menos pelo pessoal mais antigo e pela própria família.