Carlos Damião

Entradas do Outubro 2009

Foi agressão ou não foi?

31/10/2009 · 4 Comentários

Tive que ficar longe do blog, ontem, por absoluta falta de tempo. Peço perdão aos leitores.

Folheando os jornais virtuais descobri a história da suposta agressão, promovida por populares, ao governador Luiz Henrique da Silveira em Laguna. Vamos dizer que não é exatamente uma coisa inusitada. Faz tempo que há muita gente em Santa Catarina disposta a dizer algumas verdades ao governador mais aéreo que já nos governou. É claro que o fato em si tem um componente que chateia, até pela idade de LHS, que é um idoso e, como tal, merece o tipo de respeito que normalmente devotamos aos que já ultrapassaram a barreira dos 65 anos.

Eu escrevi ali em cima “suposta” porque as informações são contraditórias. O Moacir Pereira disse em seu blog, ontem, que LHS teria tentado revidar a investida da turma enfurecida. Mas o DC de hoje, apesar de chamar em manchete uma “tentativa de agressão” (o que, por si, já esfria a informação do Moa), publicou um texto light sobre o caso.

Categorias: Santa Catarina
Etiquetado:

A mudança no Senado

29/10/2009 · 1 Comentário

O caso do senador Expedito Júnior (PMDB-RO), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, é muito ilustrativo: os suplentes de sua excelência não podem assumir porque o TSE cassou a chapa inteira. É aquela história dos suplentes biônicos, como Neuto de Conto (PMDB), que assumiu no lugar de Leonel Pavan em janeiro de 2007 e não tem um mísero voto que justifique sua presença no Congresso Nacional. Tudo bem, a regra é essa, mas a regra está errada: como pode alguém chegar ao cargo de senador sem ter sido votado?

Bem, pelo menos no caso de Expedito Júnior esse expediente não colou. Vai assumir o segundo colocado (votado), Acir Marcos Gurgacz (PDT), que parece também ter problemas com a Justiça Eleitoral.

Categorias: Cidadania
Etiquetado:

A realidade e as belas teorias dos gabinetes

29/10/2009 · 4 Comentários

É muito bacana a preocupação do governo em planejar nosso turismo, trazer o pessoal do WTTC de novo etc. e tal. Mas o que a gente vê na prática é muito pouco diante da importância de Santa Catarina para o contexto turístico nacional. Estradas ruins, saneamento deficiente, infraestrutura precária, violência generalizada e capacitação profissional insuficiente – são alguns dos problemas recorrentes no Estado e, em especial, na capital catarinense.

O problema, como sempre, é que a Sorbonne (*) que nos governa não tem noção exata da realidade. A visão é superestrutural, sofisticada, excepcionalmente grandiosa. Mas o chão onde pisamos não corresponde ao que os gráficos da Sorbonne (*) demonstram.

—————————————————–

(*) Entenda-se por Sorbonne a extrema teorização geral dos assuntos de governo, sem muito vínculo com a qualidade governativa em si. Teoria é bom, mas é bom quando se relaciona à realidade e não à pretensão sofisticada e pedante de alguns assessores do governo. Em outras palavras, os problemas caminham mais rápido do que as soluções teorizadas nos gabinetes assépticos e refrigerados.

Categorias: Cidadania
Etiquetado:

A beleza da democracia

28/10/2009 · 2 Comentários

Há inúmeros movimentos nas ruas. Se ninguém parou para pensar, há a rapaziada da Zona Azul, denunciando uma manobra suja que pretendem fazer com o sistema de estacionamento rotativo. Há a turma que trabalha no sistema prisional, reivindicando melhorias salariais e mais condições materiais para suas atividades. Há os delegados de polícia, que não estão quietos, estão apenas aguardando uma posição (sic) do governo – que deve ser anunciada amanhã. Há os soldados (praças) da Polícia Militar, exigindo mudanças na instituição, hoje dominada pelo espírito monárquico que baixou em Santa Catarina. Há os servidores da saúde e da educação, com velhas questões que esse governo não dá conta, nem satisfação, porque não lhe interessa enfrentar o que importa – que é a qualidade governativa.

Felizmente, ainda há oposição neste país, há oposição em Santa Catarina, há gente que não fica a assistir passivamente a passagem do tempo. E nem falei dos servidores federais, que também estão mobilizados, contra as práticas neoliberais do governo PT-PMDB.

Resolvi escrever sobre esse assunto das mobilizações depois de ouvir a entrevista do secretário da Justiça e Cidadania (sic), Justiniano Pedroso, à rádio CBN-Diário. Ele identificou na movimentação dos agentes prisionais uma motivação política. Que bom, secretário, que eles – servidores – têm motivação política. Pior seria se eles aceitassem de boca fechada a apatia e a lerdeza do governo que o senhor representa, o governo do compadrismo sem-cerimônia.

Categorias: Cidadania
Etiquetado:

O ‘compadrismo’ demoníaco

28/10/2009 · 2 Comentários

O compadrismo é uma prática corriqueira no Brasil, uma coisa histórica, que não se supera tão facilmente. Não falo apenas da política, embora a política seja o carro-chefe dos compadres. Pois Lula não disse que se aliaria com o capeta (como, aliás, se aliou em 2002 e 2006) para viabilizar um projeto eleitoral? O nome disso é compadrismo, o compadrismo demoníaco. Aqui, Luiz Henrique fez a mesma coisa: os que não prestavam pra ele, que tinham sido seus adversários nos tempos de combate à ditadura, passaram a ser amigos de infância depois que ele sentiu o gostinho do poder. Falo de velhos militantes da antiga Arena, depois PDS, hoje PP. Quantos se bandearam para os lados dele e de Dário Berger, praticando o compadrismo demoníaco da política? São homens sem personalidade, sem coerência, história, paixão, utopia. O que vale para estes, que se entregaram, é o momento, é o se dar bem – a Lei de Gerson, a Lei de Justo Veríssimo.

Na cultura nem poderia ser diferente. Há um cheiro de compadrismo em tudo o que lemos, vimos e discutimos por aí. Vejo uma repetição cansativa do que combatemos no passado, o mesmo compadrismo que se praticava no período ditatorial – do tipo “tu me elogias que eu te elogio de volta”, praticado entre notáveis intelectuais brasileiros. A coisa continua igual. Não há crítica, não há divergências saudáveis. Há apenas uma relação de compadres, de amigos que votam em amigos, que se devotam a amigos, a iguais. É claro que isso é ruim, porque desaparecem os critérios, desaparece a justiça, a dignidade, a transparência.

E não estou me referindo a ninguém, nem a algum fato específico. Estou, mesmo, pensando em voz alta.

Categorias: Cidadania
Etiquetado:

Os escritores de SC na Feira do Livro de POA

27/10/2009 · 5 Comentários

Quinze escritores catarinenses vão representar o Estado na 55ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre, o melhor e maior evento do gênero na América Latina, que começa nesta sexta-feira.

O critério para escolha dos nomes continua sendo polêmico. Mas não vou aqui questionar ninguém entre os selecionados pela Fundação Catarinense de Cultura, acreditando que há bons escritores e pesquisadores entre os nomes que não conheço. Apenas incluiria, caso tivesse esse poder:

Olsen Jr. – Chapecó/Blumenau/Fpolis – Romancista

C. Ronald – Biguaçu – Um dos melhores poetas do Brasil

Celso Martins – Laguna/Fpolis – Historiador do Contestado

Antônio Carlos Floriano – Itajaí – Poeta, dos melhores haicaístas do Brasil

Sérgio da Costa Ramos – Fpolis – Cronista

Jair Francisco Hamms – Fpolis – Cronista e contista

 

Mas a lista que a FCC preparou é esta (e não estou fazendo juízo de valor, até porque a maior parte dos nomes é bem representativa da nossa literatura): 

CONVIDADOS 

João Paulo Silveira de Sousa – Homenageado

Dennis Radünz – Blumenau/Fpolis – SC 

Carlos Henrique Schroeder – Jaraguá do Sul – SC

Rodrigo de Haro – França/Fpolis – SC

Alcides Buss – Salete/Fpolis – SC

Amilcar Neves – Tubarão/Fpolis – SC

Clotilde Zingali – Joinville – SC

Ramone Abreu Amado – Lages/Joinville – SC

Cristiano Moreira – Itajaí – SC

Fabio Brüggemann – Lages/Fpolis – SC

Tânia Piacentini – Fpolis – SC

Péricles Prade – Fpolis – SC

Eliane Debus – Sombrio/ Tubarão – SC

Marco Vasques – Imbituba/Fpolis – SC

Tânia Ramos – Fpolis – SC

Categorias: Literatura
Etiquetado:

Audácia na TV

27/10/2009 · Deixe um comentário

image001

“Audácia”, o documentário vencedor do prêmio DOCTV IV em Santa Catarina, teve duas pré-estreias: no cinema do CIC e no Festival de Cinema de Joinville. Agora, quando se comemora a Semana dos Direitos Humanos, “Audácia” chega às telas da TV, em rede nacional. Em Santa Catarina poderá ser assistido nesta quinta-feira, 29/10, às 23 horas na TV Brasil ou na sexta-feira, dia 30 de outubro, às 22h40, na TV Cultura.

O documentário, dirigido pelo catarinense Francisco Pereira, resgata as histórias dos presos políticos durante a Operação Barriga Verde, em 1975, em nosso Estado. Para maiores informações acesse:  aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Categorias: Cinema
Etiquetado:

Arrumando pra cabeça

27/10/2009 · 1 Comentário

jb

____________________________________________

Sei não, mas o nome disso, na minha roda de amigos, é “administração por instinto”. A matéria está no DC on-line (aqui) e há uma carrada de comentários esculhambando com o JB.

Categorias: Mobilidade Urbana
Etiquetado:

Tolerância Zero, de novo?

27/10/2009 · 5 Comentários

O que eu sempre acho muito interessante nesse governo catarinense é a total falta de originalidade. Mas eles (governantes) se fazem de originais, de mudancistas, de inovadores. O vice-governador Leonel Pavan foi aos Estados Unidos para conhecer os modernos sistemas de segurança de lá. E anunciou, com pompa e circunstância, que vai trazer o ex-prefeito Rodolfo Giuliani, de New York, para nos ensinar o que é Tolerância Zero – polêmico programa de segurança implantado em NY na década de 1990.

Vamos refrescar a memória das nossas autoridades. Quem primeiro conheceu o Tolerância Zero foi o falecido promotor público Luiz Carlos Schmidt de Carvalho, que serviu ao governo de Esperidião Amin como secretário da Justiça. Ele trouxe a ideia estadunidense para Santa Catarina. A prefeita Angela Amin tentou implantá-la em Florianópolis. Por que não deu certo? Simples: Tolerância Zero é inconstitucional. Ninguém pode retirar um indivíduo da rua – de um banco de praça, de uma calçada, de uma escadaria da igreja – se esse indivíduo não tiver cometido um delito. Da mesma forma, não há polícia que possa prender um sujeito apenas porque ele está caminhando na rua com um capuz ou um boné sobre a cabeça. Esse sujeito precisa ter cometido um delito para que seja conduzido a uma delegacia. Isso está escrito nos direitos e garantias fundamentais do cidadão, na Constituição Brasileira de 1988, ainda em vigor.

Tanto é verdade que há um ofício da secretária Rose Bartucheski (ex-Berger), no mural do meu prédio, respondendo a um questionamento do condomínio sobre a presença de moradores de rua no bulevar da Avenida Hercílio Luz. Ninguém pode removê-los, a não ser o serviço social da prefeitura. Este, sim, tem obrigação de cumprir o papel de recolher essa gente, que era o alvo principal do Tolerância Zero nos tempos em que Carvalho era secretário.

Outro dia, estava lembrando que nos meus tempos de guri – com 18, 19 anos – era preciso sempre carregar a Carteira de Trabalho entre os documentos (o RG não valia nada), porque naquela época, tempo brabo da ditadura, qualquer um podia ser preso por vadiagem, caso circulasse pelas ruas na alta madrugada. Hoje ninguém é preso por vadiagem, porque a Constituição de 1988 acabou com esse poder da polícia.

Então, qual é a novidade do Tolerância Zero? Nenhuma. É mais um recurso de marketing eleitoral.

Em tempo – Querem mais segurança em Florianópolis? Façam um controle (legal) de migrações. Fiscalizem a chegada de migrantes ao cinturão de miséria que cerca a Grande Florianópolis. Foi assim que reduziram a criminalidade em Balneário Camboriú, território eleitoral do vice-governador. Lá, a prefeitura tem um departamento de migração, que monitora permanentemente a rodoviária e as vias de acesso ao município. O problema é que BC tem uma situação social relativamente bem-resolvida, enquanto à vizinha Camboriú coube o papel de se transformar num depósito de miseráveis. Toda a escória miúda– traficantes, assaltantes, ladrões, seqüestradores – mora em Camboriú. E a escória graúda? Não é difícil imaginar onde vive… em paz, cercada de luxo, grandeza, beleza, vista para o mar e bom gosto.

Categorias: Cidadania · Insegurança
Etiquetado:

A sigla no tapume

27/10/2009 · 2 Comentários

Um amigo curioso me pergunta se sei o que significa WOA, sigla que está inscrita nos tapumes que cercam o terreno do antigo Hospital Naval, na Agronômica. Eu também não sabia, mas o Lauro, do Notícias do Dia, matou minha curiosidade: WOA é acrônimo de Walter, Orlando e Antônio. A saber, dois irmãos (W e A) e um sobrinho (O). Todos da família Koerich. Eles se uniram para construir mais um condomínio de alto padrão na região da Beira-mar.

Categorias: Comunicação
Etiquetado: