Carlos Damião

Entradas do Maio 2009

Disputa para ser cidade-sede não empolgou

31/05/2009 · 3 Comentários

 

Estive em Itajaí e Balneário Camboriú durante todo o domingo. Perguntei a alguns conhecidos o que eles sabiam sobre a decisão da Fifa. Ninguém tinha ouvido falar que Florianópolis era candidata a cidade-sede. Muito menos que a cidade ficou de fora.

No táxi, da rodoviária para casa agora à noite, comentei o caso com o motorista. Ele deu de ombros. “Copa aqui, pra quê? Pra essa raça ganhar mais dinheiro ainda?”. A raça a que ele se referiu vocês sabem qual é, pois, pois.

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Quem informou antes?

31/05/2009 · 2 Comentários

 

Por sugestão do leitor Paulo Stodieck, resgatei o comentário de outro leitor — Chacal — publicado neste blog no dia 17 de fevereiro deste ano. É interessante que Chacal reproduziu uma informação publicada pelo Cláudio Humberto.  Também a revista Placar, conforme meu amigo PJ, deu a deixa antes.

Eis o texto do Chacal de 17 de fevereiro: 

Deu na coluna do Cláudio Humberto, publicada no Diarinho. Fpolis tá fora, graças a Deus!!!

Podem celebrar

Três capitais do Nordeste devem ser sedes da Copa de 2014: Fortaleza, Recife e Salvador. Também Natal está bem cotada: concorre com Florianópolis, que perde feio nos quesitos aeroportos e rede hoteleira.

E, de fato, estamos fora da Copa 2014. Felizmente. Quem agüentaria essa turma de jecas oportunistas podendo tudo?

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Por que torcemos contra a Copa em Florianópolis

31/05/2009 · 5 Comentários

Desterro perde a poesia e se torna paraíso dos arrivistas

Desterro perde a poesia e se torna paraíso dos arrivistas

Estava lendo há pouco o que o Marcos Castiel escreveu em seu blog sobre a questão das cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014. “Não importa o que acontecer, nós já perdemos” é o título do post. Castiel aponta uma relativa desunião da cidadania em torno de Florianópolis, não só por causa da disputa para ser uma das sedes do maior evento esportivo do Planeta. O cronista se refere ao definhamento da capital catarinense enquanto cidade de fato, espaço de moradia, convivência, natureza e lazer.

O que há, e nós dizemos isso neste blog desde o início, em 2004, é que Florianópolis tornou-se uma terra de oportunidades, mais ou menos como Balneário Camboriú, sem identidade e personalidade. Quem quer ganhar dinheiro relativamente “fácil” vem para cá – inclusive os mendigos bêbados que moram na Praça 15 de Novembro desde 2005. Muita gente se iludiu com Florianópolis; muitos acharam que era moleza chegar aqui, montar a barraca e acionar a caixa registradora. Não é assim: quem nasceu ou vive há muito tempo em Desterro sabe. O único negócio próspero, de resultados rápidos, é a construção civil, especialmente quando ligada ao turismo. E é essa a oportunidade, como sabemos, que a turma que se instalou no poder percebeu: vincular o turismo a empreendimentos sólidos, não à simples curtição da cidade (curtição da cidade são os gastos dos turistas com entretenimento, passeios, gastronomia, visitas a museus, compras de suvenires etc., como em Paris). Então, Florianópolis deixou de ser atraente pelo que é (ou foi) para se tornar um negócio sob a perspectiva de políticos negociantes, cujo discurso é nitidamente argentário. Só não percebe quem é trouxa e se contenta com pequenos favores eleitorais, como sacos de cimento, tijolos, areia, pregos, ferros, telhas (a construção civil informal ampliou velozmente a destruição de Florianópolis nos últimos cinco anos). Essa concessão à esculhambação urbana, através do clientelismo político escancarado, foi a forma que os políticos negociantes encontraram para respaldar a organização que pretendem, ou seja, abrir espaço para os ricos empreendimentos de preços finais abusivos e restritivos. Não tenho dúvida de que o projeto dessa gente é, no longo prazo, expulsar a pobreza para garantir a presença de mais arrivistas que aparecerem por aqui. Esses arrivistas serão os eleitores do futuro.

Enfim, a Copa 2014 seria (ou será? – escrevo antes do anúncio da Fifa e não poderei acompanhar a divulgação dos nomes das cidades porque estarei viajando) a grande oportunidade para a virada econômica que os negociantes planejavam, ou seja: a transformação impiedosa de Florianópolis num paraíso de supostos ricos, os novos ricos, exatamente aqueles que pensam, respiram e se alimentam unicamente dos lucros, e não contribuem para o bem-estar geral da sociedade. Aliás, os nossos políticos negociantes fazem parte dessa constelação de falsos burgueses deslumbrados que se apossaram de Florianópolis.

É para que eles não se dessem bem (mais ainda) é que torcemos contra a Copa em Florianópolis.

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Justo Veríssimo, com toda justiça

30/05/2009 · 1 Comentário

 

Sábado à noite, chuvinha lá fora, temperatura propícia para saborear um bom vinho, momento apropriado para revermos um clássico do humor brasileiro, protagonizado por Chico Anísio entre o final da década de 70 e início da década de 80.

Com vocês, o imbatível Justo Veríssimo, que simboliza muito bem a semana que se encerra.

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Filosofia pura

30/05/2009 · 1 Comentário

 

Do filósofo brasileiro Millôr Fernandes, na Veja de 20 de dezembro de 2006:

– Quando viu o réu, o juiz teve uma pena tão grande que assinou a absolvição com ela.

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Deputada Angela

30/05/2009 · 5 Comentários

A futura deputada em entrevista à Guarujá (2008). Foto Rubens Flores

A futura deputada em entrevista à Guarujá (2008). Foto Rubens Flores

A querida Angela Albino (PCdoB) vai assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa a partir do dia 10 de junho e ficará dois meses exercendo o mandato de deputada, no lugar de Ana Paula Lima (PT). A licença da parlamentar petista faz parte de um primeiro passo para repetição da aliança entre os dois partidos em 2010. Angela é primeira suplente da coligação fechada em 2006 entre PCdoB e PT.

Angela sabe fazer a diferença no meio dessa geléia geral de mediocridade, fisiologismo e adesismo que tomou conta da política catarinense nos últimos tempos. Há outras exceções na AL, é claro, entre as quais a deputada que se licencia.

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1964 em 2009

29/05/2009 · 6 Comentários

 

Essas coincidências da vida…

Ontem, numa roda de amigos, conversávamos sobre um dos episódios mais nebulosos do golpe militar de 1964 em Florianópolis: o incêndio da Livraria Anita Garibaldi, que ficava na Praça 15 de Novembro e cujo proprietário era o escritor Salim Miguel. Os reacionários daquele abril de 1964, empolgados com a violência direitista que se instalou no poder, invadiram a pequena livraria e tocaram fogo nos livros “subversivos” que eram vendidos por Salim.

E agora a coincidência: no DC de hoje a triste notícia sobre o recolhimento de exemplares da obra Aventuras Provisórias, do escritor catarinense Cristóvão Tezza, que haviam sido distribuídos às escolas do Estado pela Secretaria da Educação.

Bem, o livro foi escolhido para os alunos por uma comissão da secretaria, com o objetivo de colocá-los em contato com a moderna literatura brasileira. E Tezza é um dos melhores ficcionistas do país na atualidade.

Tempos depois da distribuição, alguém resolveu ler a obra do catarinense com mais atenção. E descobriram trechos eróticos, incompatíveis com a educação que jovens de 15 a 18 anos (!) devem receber. Por isso, mandaram recolher os livros.

Tomo emprestado um trecho da reportagem do DC:

A assistente técnica pedagógica do Colégio Estadual Governador Heriberto Hülse, em Criciúma, Maria Gorete da Silveira, considera que o livro tem uma boa história e um enredo interessante, que se passa na Ilha de Santa Catarina. Entretanto, classifica o vocabulário de “chulo” e relata que, em alguns parágrafos, “a relação sexual é abordada de maneira banal”.

– O vocabulário é exagerado e essas palavras queremos extingui-las da boca dos alunos, banir do ambiente escolar. O aluno não está preparado para receber este conteúdo – frisou.

É o que basta para que essa moça, assim como outros reacionários do nosso mundo escolar, sejam colocados no mesmo baú sinistro em que enfiamos os responsáveis pelo incêndio da livraria Anita Garibaldi, há 45 anos.

Porque, de fato, no mundo em que vivemos atualmente garotos de 15 a 18 anos não podem ter acesso a trechos eróticos da nossa melhor literatura. É mais fácil para eles, certamente, assistir a vídeos pornográficos na internet. Vídeos, aliás, disponíveis em milhões de sites especializados.

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Nós, livres da Copa, felizmente

29/05/2009 · 5 Comentários

 

Se é verdade mesmo que estamos fora da Copa do Mundo 2014, conforme publicou o Ancelmo Gois (informação reproduzida no blog do Cesar Valente), estamos livres daquela toada marketeira de Luiz Henrique, Dário & Companhia Ilimitada.

Melhor que isso, veremos Florianópolis distante de um evento que é bom para alguns privilegiados e péssimo para a maioria.

E vamos ser justos: Cacau Menezes deu a informação no Diário Catarinense muito antes de Ancelmo Gois. Mais exatamente no dia 17 deste mês. E Cacau foi malhadíssimo por muitos, como sempre, apenas porque deu o furo. Mérito dele, que devemos todos reconhecer.

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Novo jornal na praça

29/05/2009 · 1 Comentário

 O Esportivo

O jornalista Júlio Castro, com quem trabalhei em duas empresas (A Notícia e Rádio Guarujá), está à frente de um novo projeto editorial em Santa Catarina. Trata-se do jornal O Esportivo, com circulação quinzenal.

O produto será distribuído às federações esportivas de Santa Catarina (são 50 entidades), fundações e Conselhos municipais de esporte dos 293 municípios catarinenses, dirigentes, atletas, comunidades esportivas e clubes esportivos.

Na imagem acima, a reprodução de capa e contra-capa da primeira edição, que sai do forno neste sábado.

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Razão e humildade

29/05/2009 · 5 Comentários

 

Quando ouvi aqueles argumentos da defesa sobre a biografia do governador Luiz Henrique lembrei-me que José Sarney também é um homem público de largo curso na política brasileira. Começou, a bem dizer, há 50 anos. E é justamente por causa da biografia que LHS, Sarney e tantos outros têm que sempre dar explicações à sociedade.

Faço o paralelo com o presidente do Congresso Nacional talvez porque ele foi o foco do noticiário de ontem, muito mais do que LHS, por conta de um pequeno deslize revelado pela mídia: o recebimento de mais de R$ 3 mil mensais como auxílio-moradia – embora sua excelência resida em Brasília, em uma confortável mansão. Mas Sarney foi humilde: reconheceu o erro e pediu desculpas por ter negado o caso na terça-feira.

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