
O Notícias do Dia está parcialmente aberto para leitura on line. Todas as colunas (Ricardinho, Polidoro Júnior, Luiza Gutierrez, Paulo Alceu e Hélio Costa) já podem ser lidas todos os dias, assim como o caderno Plural (cultura e variedades). O link direto ao jornal é este aqui.
Não há previsão para a leitura completa da edição diária do ND na internet.
A divulgação dos dados do Enem demonstra que Santa Catarina está mal na foto da educação. O indicador de que 60% dos alunos ficaram abaixo da média nacional (50,52) é preocupante e comprova o pouco caso das autoridades estaduais com a qualidade de ensino.
Mas o governo — composto por gente que se acha genial — despreza o Enem ao não reconhecer grande valor nos dados divulgados, segundo a reportagem publicada pelo Diário Catarinense, de autoria da repórter Lilian Simioni: “Para o gerente de Ensino Fundamental da Secretaria de Estado da Educação, Isaac Ferreira, o Enem não é um dado de avaliação do ensino médio. Segundo ele, a prova é optativa e o universo de alunos participantes é pequeno. Ferreira também destaca que há muitos egressos do ensino médio fazendo a prova, não dando uma amostra, portanto, da realidade do ensino médio no Estado”.
Eles sempre reagem assim. Quando alguém aponta problemas de saneamento básico no Estado as autoridades culpam a população. Quando o caso é a segurança pública, a responsabilidade é dos bandidos. Quanto às deficiências saúde, é claro que o povo é o culpado (só falta dizerem “quem manda ficar doente!”). E por aí vamos, sempre ouvindo toadas do gênero. Eles sempre se justificam, nunca explicam e jamais tomam providências. Até porque, convenhamos, os gênios sempre estão certos, porque eles vivem num plano superior, numa realidade paralela.
Eu voltava da Trindade para o Centro quando meu telefone celular tocou. Era o Les Paul, querendo saber o que estava acontecendo na cidade, uma vez que a Tenente Silveira tinha sido fechada para o trânsito e havia dezenas de viaturas policiais e da Guarda Municipal nas proximidades. Eu também tinha observado algo estranho na Trindade, porque o helicóptero da PM voava baixo demais. Achei que fosse fuga de presos. Mas não era.
No caminho até a Tenente Silveira fui me informando. Uma amiga de uma loja me contou mais ou menos assim: “Parece que o Dário confiscou o salário dos professores”. Não era bem isso, mas a falta de cumprimento de uma promessa para o fim da greve dos servidores — horas extras para funcionários das secretarias da Saúde e de Obras.
Dezenas de caminhões e carros oficiais atravancavam o trânsito na Rua Tenente Silveira. Na esquina com a Rua Deodoro, o comandante da Polícia do Dário, digo, do 4º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Newton Ramlow, dava o seu show particular. Encostado numa viatura, dava ordem para os soldados, tanto pelo rádio, quanto pelo celular. No alto, os vôos rasantes do helicóptero da PM me lembravam filmes de ação, aqueles do Bruce Willis ou, mais remotamente, algumas cenas de Apocalipse Now.
Quem conseguiu remover os servidores e os veículos da Tenente Silveira não foi o comandante da PD, digo, da PM. Foi um diretor da Guarda Municipal que negociou o encontro entre os diretores do sindicato dos servidores e um secretário de Dário. Agora, vendo um vídeo que o João Cavallazzi gravou (aqui não dá para postar vídeos, problema que estou em vias de resolver), percebi o sufoco que o prefeito passou quando seu veículo foi atacado pela massa enfurecida. Prometeu e não pagou? Levou vaias, chutes e tapas — estes, desferidos no automóvel Vectra preto, conforme mostra o vídeo (veja no Cesar Valente, é bem curto e interessante).
A prefeitura entrega hoje à Câmara Municipal o projeto-de-lei para realização da concorrência pública do transporte coletivo. Não resisti à tentação de buscar O Leopardo em minha estante e dele extrair a frase (muitas vezes atribuída a Maquiavel) de Giuseppe Tomasi que se tornou clássica:
É preciso mudar para que tudo continue como está.
Essa postura meio nazista, adotada pela Polícia Militar em Florianópolis, lembra o comportamento do delegado Eloy Gonçalves nos anos 1970. Eloy foi o delegado que se tornou célebre por ter prendido o cantor Gilberto Gil, que estava na capital catarinense para se apresentar com os Doces Bárbaros, num show memorável realizado no Clube Doze de Agosto. Gil foi preso no hotel, porque portava um cigarro de maconha (um baseado) pronto para se consumido.
O nazistinha de plantão em Florianópolis decidiu enfrentar a Marcha da Maconha, programada para este domingo na capital catarinense. O Eloy de 2009 não tem nada a ver com o Eloy da década de 1970. A realidade de lá, de quase 40 anos, era completamente diferente. O mundo de hoje caminha em outra direção. A maconha já é tolerada em inúmeros países e seus defensores argumentam, entre outras coisas, que os efeitos da erva são até menos danosos do que os provocados por algumas drogas lícitas, como as bebidas alcoólicas.
Mas o nazistinha de plantão em Florianópolis quer aparecer, quer posar para a mídia como o xerife da cidade. Eloy, depois do que fez, ganhou o merecido ostracismo. A continuar nesse passo, o nazistinha da hora terá o mesmo destino?
O Tribunal de Contas do Estado vai ter um novo conselheiro, o atual deputado Herneus de Nadal (PMDB), eleito ontem pela Assembleia Legislativa. É “natural” que assim seja: os tribunais de contas são compostos em maioria por conselheiros escolhidos pelas assembleias — em geral, após uma combinação com o governador do Estado – e na maioria dos casos têm origem parlamentar. Afinal, o TCE é um braço do próprio legislativo.
Mas há uma questão de fundo que sempre nos assombra: se os conselheiros julgam as contas do governo — e são por esse governo indicados ou confirmados –, que segurança tem a sociedade de que essas contas serão julgadas a partir de critérios técnicos e éticos?
A atual fórmula de escolha é constitucional; não há, em princípio, nada de irregular na eleição desses conselheiros. Mas que está errada, está. Os tribunais deveriam ser compostos exclusivamente por profissionais qualificados, concursados e inteiramente independentes da estrutura de governo. Mais ou menos como é o Ministério Público (federal ou estadual).
Trecho de press-release publicado no site oficial do governo catarinense:
No sentido de preparação para o fórum, entidades de Florianópolis se reuniram em um Comitê Consultivo, dividido em Câmaras Temáticas, e vêm organizando ações para que a Capital tenha êxito em receber os visitantes. Uma dessas ações é a campanha “Florianópolis Recebe”, que tem o objetivo de mobilizar a população para um mutirão de limpeza e embelezamento das ruas previsto para ocorrer nos dias 8, 9 e 10 de maio.
Percebeu, leitor, que além de pagar involuntariamente a conta do patrocínio oficial ainda estamos sendo convocados a mostrar uma cidade de mentira para esses figurões engravatados que virão para o Fórum Mundial de Turismo!? Vamos empurrar a sujeira para baixo do tapete! (E isso inclui segurança pública, saneamento, infra-estrutura viária, miséria etc. e tal).
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Matéria publicada pela Agência Brasil e copiada por alguns noticiários on line. Uma tremenda irresponsabilidade. Não há nada, nenhum detalhe, nenhuma informação relevante.
Jornalismo é (deveria ser) uma atividade séria. Não essa coisa de espalhar o pânico e fazer com que os cidadãos mais paranóicos, por exemplo, já estejam estocando máscaras de proteção.
Eu, como cidadão catarinense e, portanto sócio involuntário desse Fórum Mundial de Turismo que vai acontecer daqui a duas semanas, gostaria de saber: o governo do Estado vai apresentar aos participantes a verdade sobre o nosso Estado ou vai omitir a violência que contamina nossas principais cidades turísticas, Florianópolis e Balneário Camboriú incluídas?
Ontem, bandidos mataram mais um cidadão de Balneário. Um argentino que morava lá. Foi a 11ª vítima do ano, somando-se mais uma à estatística que o Diarinho publicou em sua capa hoje. Aliás, a manchete do vibrante jornal praiano: “Terra de ninguém. Assassinatos crescem 42% em Balneário Camboriú”. E aquele é o segundo centro turístico mais importante de Santa Catarina.
E aí, pessoal do turismo oficial (governo e Santur): vão falar a verdade sobre nosso Estado para os notáveis do turismo internacional? É claro que não. Vocês (governo e Santur) vivem num outro mundo, o mundo dos grandes negócios, dos delírios megalômanos.
Mas repito: como sócio involuntário do fórum — porque o dinheiro dos impostos que pago ajuda a patrocinar essa papagaiada — exijo que alguém diga a verdade e desmistifique de uma vez por todas esse marketing perfumaria.
Estava em Itajaí hoje cedo e senti o clima na cidade em relação ao protesto que se prolongaria durante horas, por conta das obras de recuperação do porto — que teve 80% de sua estrutura destruída durante a inundação de novembro do ano passado.
Itajaí vive do porto. E isso nem é de hoje — a diferença é que atualmente o porto é quase que totalmente indutor da economia local. Tudo, de um boteco a um colégio, de uma imobiliária a uma joalheria, de um restaurante a uma revendedora de automóveis, de uma loja de móveis ao aeroporto de Navegantes, tudo depende das plenas atividades do porto.
Mas, como eu comecei dizendo, estava lá hoje cedo quando os protestos ainda estavam em curso. O povo de Itajaí – e isso inclui empresários, políticos, trabalhadores, donas de casa, professores, estivadores — está cansado. Faz cinco meses que aconteceu o desastre ambiental. E não é mesmo possível que as obras estejam demorando tanto, ainda mais que o governo do presidente Lula garantiu os recursos. Pena que as verbas demoram a chegar e que os responsáveis pelas obras civis, inclusive de dragagem e reconstrução do porto, não tenham aquele ânimo todo para concluir o que devem fazer.
Num momento de crise como este, em que uma cidade depende de um porto para viver, é incompreensível o que está acontecendo em Itajaí. A incompetência da burocracia parece ser a única explicação razoável.