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Archive for fevereiro \26\UTC 2009

STF divulga número de ações contra autoridades

 

Parece muito, mas é pouco diante da calamidade em que se transformou a atividade política no Brasil: tramitam no Supremo Tribunal Federal 378 ações penais e inquéritos contra autoridades que têm foro privilegiado. Sinceramente, pensei que era muito mais. Confira a matéria original do STF aqui.

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Indignação e dor

 

Há dias estou para escrever algo sobre essa história do bispo Richard Williamson, que milita na ala mais reacionária da Igreja Católica. Ele negou o holocausto e por isso foi expulso da Argentina, onde atuava desde a década de 1960. Lembrei-me do que dizia um amigo, que foi companheiro de trabalho durante muitos anos: “Há certas coisas sobre as quais devemos refletir seriamente. Se não for para nos indignarmos, que não digamos nada”. De fato, o holocausto é algo que nos causa profunda dor. Negá-lo, como fez a autoridade católica, é de uma atrocidade comparável ao que fizeram os nazistas contra os judeus. Melhor faria, o bispo cretino, se não tivesse dito nada.

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O filhinho da mamãe

 

Crônica semanal do escritor catarinense Olsen Jr. Para ler ouvindo a sugestão musical do poeta (aqui):

 

Qualquer pessoa, mas não uma pessoa qualquer, pode aquilatar (essa palavra é de doer) por interesse menor que tenha sobre o assunto, que a família exerce o principal papel na educação dos filhos. Quer dizer, uma educação é um somatório do que se vê e ouve em casa, da constatação dos atos, mais o aprendizado burocrático da escola (dos currículos executados à meia boca, o que é visto, ouvido e constatado) e finalmente a ditadura que vinga nas ruas (o visto, o depreendido e o sentido na carne), por aí se tem um bom começo.

Pular qualquer um dos três referentes seria pintar uma caricatura de um retrato já feio.

Por que estou dizendo tudo isso? Calma leitor(a).  Tudo no seu tempo. Não gosto de assumir ares de “professor” quando o próprio dia-a-dia mostra que, às vezes, muitas vezes, acrescente-se é o instinto que culmina determinando nossas ações.

Veja só, mais um preambulozinho para mostrar a dialética (alô “doutores” não estou falando no sentido marxista do termo) desse mundo. Ali, ao lado da Fiesc, tem um posto de gasolina com um lava-carro anexo, você paga R$ 6,00 por um serviço que os outros cobram R$ 10,00. Com a diferença se compra um refrigerante de dois litros e se doa para a piazada do batente. Assim, acaba-se gastando menos e ainda tendo o reconhecimento que faz com que as relações humanas fiquem melhores. Daí, enquanto se espera, o bar do Luciano ao lado, serve aquele pastelzinho caseiro, sequinho, com carne moída, tempero verde e se você tiver sorte, alguns pedaços de ovos cozidos com azeitona, mas aí já é loteria, não se pode ter tudo.

Estou naquela expectativa quando o próprio Luciano passa por mim, depois dos cumprimentos de praxe, o ouvi exclamar qualquer coisa como “…Trabalho escravo” e se afastar indignado. Já estava comendo o segundo pastel quando ele para no outro lado do balcão, chateado e pude ouvir bem “era só o que me faltava essa de trabalho escravo!”.

– Conta logo – brinco – percebendo que pretendia desabafar.

– Pô! Começa ele – o meu guri, que você conhece bem, às vezes fica comigo, e em alguns momentos até ajuda eu e o meu irmão, não é um trabalho oficial, apenas uma ajuda espontânea com as coisas aqui. – Agora a mãe dele chegou, está indignada e afirmou que estou escravizando o piá, que é trabalho infantil, que tem leis no País”…

Começo a rir e ele me encara com seriedade. Antes que diga alguma coisa, sugiro um pouco de calma, e claro, insinuo que mãe é mãe é aquela “cutucada” era apenas para mostrar os laços afetivos que ainda eram compartilhados entre eles.

Foi a vez de ele rir.

– Pode parar! – Afirma peremptoriamente.

Na hora não pude deixar de pensar em Somerset Maugham “Na vida de um garoto, poucas infelicidades podem provocar consequencias mais desastrosas do que ele ter uma mãe afetuosa”. Também, o Ziraldo, em uma de suas recaídas “A mãe é o pior inimigo do homem”.

Bem, aquele bate-papo parecia ter “aliviado” um pouco o sentimento de culpa do Luciano. Quer dizer, eu pensava assim e só percebi que estava enganado quando o funcionário do posto trouxe a chave do carro e depois que ele saiu com o refrigerante de dois litros, cumprindo um ritual que institucionalizei, e fui me despedir dele. Ele apertou a minha mão, me olhou nos olhos como se tivesse algo para dizer, percebendo aquela angústia, conclamo: “diga!”.

– Olha aqui, oh! – Deixa-me dizer uma coisa: “Trabalho escravo é a puta que os pariu!”.

Rimos bastante enquanto ele saiu atrás do filho para que assumisse o caixa enquanto ele iria levar as marmitas para os operários de uma construção ali no bairro.

Não se pode dizer que ele não tivesse personalidade forte ou suas próprias convicções sobre o tal “serviço escravo”, o que não era o caso, como se pode ver!

Esta crônica foi originalmente publicada no jornal A Notícia.

olsenjr@matrix.com.br

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A bolha automotiva

 

Diante da notícia de que milhares de automóveis foram retomados pelos bancos — ou devolvidos pelos donos — por falta de pagamento, só nos resta concluir que estava demorando a aparecer a primeira bolha financeira no Brasil. Era fácil demais financiar um carro. E me convenci de que a coisa estouraria em algum momento no dia em que estive numa empresa e escutei o diálogo entre duas recepcionistas sobre os automóveis que haviam adquirido, estimuladas pela propaganda do Políbio (aquela história dos R$ 11 por dia de financiamento). As duas meninas faziam as contas, comprovando, na prática, que era mais barato se locomover de automóvel para o trabalho e para a faculdade de automóvel, ao invés de utilizar o transporte coletivo. Curioso, procurei me informar depois de quanto era o salário das recepcionistas naquela empresa. Não passava de R$ 600. Uma prestação de um Celta ou Uno não ficaria por menos de R$ 300. Elas trabalhavam para sustentar o carro, pagar o estacionamento e a faculdade. Fácil. E esse é o problema da bolha automotiva no Brasil: pouco salário (ou renda) para garantir o luxo de ter um carro (embora, em muitos casos, o automóvel seja uma necessidade indiscutível).

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Figueira não tem jeito

 

Depois do jogo medíocre de ontem, contra o Brusque no Orlando Scarpelli, o Figueirense pode recorrer à velha tática futebolística: mandar embora o técnico. Mesmo que a culpa pela situação não seja dele. A crise do alvinegro florianopolitano começou em 2008, quando o clube jogou o Campeonato Brasileiro de salto alto. Uma semana antes do rebaixamento os dirigentes garantiam aos torcedores que o Figueira não cairia. À época não me dei conta: era a senha, a chave para entrar na série B.

Campanha de Dilma chega a Florianópolis

 

O Tribunal Superior Eleitoral notificou o presidente Lula e a ministra Dilma Roussef por propaganda eleitoral antecipada. O encontro nacional dos prefeitos, realizado no início deste mês, foi um comício escandaloso. Hoje em Florianópolis, Lula & Dilma “inauguram” a rede de energia que vai garantir o suprimento à Ilha de Santa Catarina, evitando risco de novo apagão. Estão em campanha, é claro. A rede já foi ativada há um mês. E nem estou tirando o mérito da obra grandiosa. Apenas constato o ato político que será realizado hoje.

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Os devaneios megalomaníacos continuam

 

Leitor Luiz Fernando recomendou — e o que leitor recomenda eu assino embaixo: vale a pena ler o que o Cesar Valente escreveu hoje em seu blog sobre a a doideira em que está virado o governo catarinense. Nada que a gente já não saiba. Mas o Cesar, com seu estilo peculiar, juntou coisa com coisa e a análise que resultou disso é muito peculiar. Não diria divertida porque não é o caso. Não há como se divertir com a desgraceira que é a saúde pública, a infraestrutura, a segurança pública, a cultura, a educação e tudo mais que temos visto, enquanto elas, as autoridades, se divertem com seus devaneios megalomaníacos.

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O congresso de turismo

 

Está na cara que o Congresso Mundial de Turismo, promovido pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), programado para os dias 15 e 16 de maio deste ano no Costão do Santinho (Florianópolis), é um evento da RBS. A moça que esteve hoje na cidade, Ufi Ibrahim, executiva do WTTC, deu uma passadinha básica na filial do grupo de comunicação gaúcha em Florianópolis. Mas ela esteve também com o outro governador, o oficial, numa reunião preparatória para o evento.

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Cruzeiros marítimos: questão de gosto

 

Outro dia escrevi aqui sobre esses cruzeiros marítimos que se tornaram populares e que não têm infraestrutura adequada para receber tanta gente e oferecer os serviços que uma excursão do gênero deve oferecer aos viajantes. De novo, um cruzeiro marítimo registra graves problemas. De novo estou convencido de que essas coisas muito baratas — hoje é mais econômico viajar nesses cruzeiros do que passar uns dias em Natal ou São Luís — não me servem. Não que eu tenha dinheiro para realizar uma viagem melhor, mas é a mesma história do uísque: se não posso tomar um Johnnie Walker (Red, no mínimo), não tomo uísque nenhum.

Atualização às 21h13 — O leitor Les Paul deixou um questionamento oportuno: mencionei o incidente com um navio turístico, mas não disse onde foi. Claro, claro (grato, Les Paul). Trata-se do navio Costa Romântica, que fazia uma excursão entre o Rio e Buenos Aires e acabou quebrando na costa uruguaia. Sem energia durante mais de 24 horas, os passageiros foram submetidos à falta de luz, de ar-condicionado e comida.

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Perturbação do sossego liderou ocorrências no Carnaval

 

Continuação do que escrevi sobre o artigo de Salim Miguel — e, agora, secundado por comentários dos leitores — transcrevo a seguir alguns números coletados pela Polícia Militar de Santa Catarina a propósito do Carnaval que terminou na terça-feira à noite. São ocorrências atendidas pela PM, a pedido de cidadãos catarinenses, durante os dias de folia:

 

– Arrombamento ou furto em veículo — 26

– Embriaguez — 28

– Acidentes de trânsito com lesões corporais — 63

– Vias de fato — 93

– Acidentes de trânsito com danos materiais — 106

– Perturbação do trabalho ou sossego alheio — 172

Total geral (estas citadas e outras de menor relevância) — 649

 

Percebem? Entre 23 categorias de ocorrências policiais, a perturbação do trabalho ou sossego alheio liderou absolutamente as atividades da PM, com 172 registros! Parece pouco, mas vejam o contexto: quase 30% do total! E isso se refere a acionamento da PM. Não estão registrados os casos em que a própria população – a exemplo do relato de Cesar Laus, num comentário aqui — resolveu o problema, na paz ou no grito.

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