As migrações — pelo mundo e por aqui

 

O calor da madrugada me tirou o sono. Acabei acordando mais cedo do que de hábito. Liguei a televisão para me distrair. Na Record News, num programa que não gravei o nome, apresentado pelo veterano Eliakim Araújo, um matéria especial sobre o problema da grande revolução étnica que está acontecendo na França, por conta das migrações, principalmente de árabes. Uma nova cultura — completamente distante das tradições locais — se impõe, o país não tem condições de gerar empregos e atender tantas demandas sociais. Resultado: a violência explode nos guetos. Reportagem excelente, imparcial e preocupante, porque mostra um mundo (árabe) avançando pela Europa em busca de melhores condições de vida e longe das disputas fratricidas que acontecem no Oriente Médio. 

 

* * * § * * * 

 

Na seqüência, a Record News reapresentou um programa chamado Brasília Ao Vivo, tendo o pesquisador do Ipea Herton Araújo como convidado. Herton é especialista em migrações e realiza seus estudos baseado nos indicadores oficiais do IBGE. Papo vai, papo vem, o pesquisador aborda a questão de um fenômeno que é chamado de regressão migratória, ou seja, o fluxo de migrações ao contrário. Nordestinos que invadiram São Paulo nas últimas décadas estão voltando para sua região. O número de gente que volta supera a quantidade de pessoas que chega, porque São Paulo não é mais aquilo tudo e, de repente, os nordestinos resolveram recuperar a qualidade de vida (e estamos falando de áreas urbanas do Nordeste, não do agreste).

  

Em dado momento, Herton cita Santa Catarina. Entre 2007 e 2008, o Estado recebeu 100 mil novos moradores, migrantes procedentes dos Estados vizinhos, com predominância do Rio Grande do Sul e Paraná, nesta ordem, seguindo-se, em terceiro lugar, São Paulo. A preferência desses novos moradores é focalizada no litoral, em especial, claro, Florianópolis. O pesquisador aponta os problemas que já estamos vivendo, relacionados à grande demanda por infra-estrutura e também aos graves conflitos sociais. E adverte: a continuar no atual ritmo, com tanta gente buscando qualidade de vida, a capital catarinense entrará em colapso completo num prazo máximo de cinco anos, tornando-se inteiramente inviável para o chamado viver bem. 

 

Herton esteve recentemente em Florianópolis e comentou entre amigos o que está acontecendo. Um deles disse mais ou menos o seguinte: “Ainda bem que você me avisou. Eu estava pensando em mudar para lá. Mas já mudei de idéia”.

9 comentário para este post.

  1. Publicado por amilton alexandre em 31/01/2009 às 9:05 r r

    É isso ai Damião. Também vi o programa. Ele fala também que as pessoas estavam vindo para cá para andar no calçadão da beiramar, coisa impossível de fazer no Rio e em SP. Também das vias congestionadas.

    Será que o Dário e o Governador não gravaram esse programa? Os loki estão fazendo tudo errado. Essas campanhas de trazer turistas vão liquidar nossa cidade.
    Falando nisso ontem nos Açores , junto ao Posto Salva-vidas o chuveiro público estava lacrado.
    Motivo – Estavam gastando muita água, moradores e turistas.

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  2. Publicado por LesPaul em 31/01/2009 às 10:40 r r

    Damião, vou tomar um banho de mar – bastante sal e água ecumênica pra descarregar da semana. E hoje é o último dia. Mas a reportagem é CIÊNCIA. será que os vereadores, prefeitos da grande Florianópolis, governador etc não têm assessoria com esses números. Qualquer estudo antropológico no campo da geografia humana sintetizaria com precisão. E a cidade vai indo pro brejo em marcha acelerada.

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  3. Publicado por Joanildo em 31/01/2009 às 12:20 r r

    O LesPaul, com certeza os nossos (des)goverantes posuem esses dados. Mas o problema é que eles não estão nem aí para o povo. O povo só serve para referendar a picaretagem oficial que é a eleição. De burro eles não tem nada. O problema é desinteresse mesmo.

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  4. Publicado por Joanildo em 31/01/2009 às 12:26 r r

    Ô Damião, estive ouvindo o JA agorinha, sobre o caso de assassinato de um jovem numa agroindústria no meu querido e amado oeste. A alegaçao do assassino foi que estava sofrendo de discrinação racial. Se você leu o artigo do Demétrio Magnolli postado no blog do Aluizio Amorim, a herança do presidente já começa a aparecer aqui. P.S. Se quiser não publicar eu agradeço.

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  5. Publicado por Anonimo da Silva em 31/01/2009 às 13:12 r r

    O nosso problema é o incentivo a construção civil. Alem de degradar a paisagem, criar bolhas de aquecimento, complicar o transito pelo aumento da densidade populacional, ainda tem o fato de que as empreiteiras de mão de obra vão buscar gente lá no interior do Paraná, etc. A degradaçào de toda a região metropolitana é evidente e só tende a piorar devido ao abandono das normas de planejamento urbano. Numa coisa tenho que concordar com o Dário (só nisso) é que o SInduscon devia ficar bem quietinho pois é um dos responsáveis pela destruição.

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  6. Publicado por Carlos em 31/01/2009 às 13:37 r r

    Há alguma coisa “fora do contexto” nesse papo !
    1- A população cresce (na Copa de 70 éramos 90 milhões em ação e hoje beiramos os 200 milhões)
    2- O governo federal para conter o desemprego estuda incentivos para a construção civil e para a indústria automobilística e o que é que voces acham que vai acontecer ?
    Em contrapartida, eu ví a tragédia da depressão econômica em Montevidéu, em 1999, e não desejo nada parecido aqui !

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  7. Publicado por Anonimo da Silva em 31/01/2009 às 14:04 r r

    Carlos, acho que com os tais incentivos, os empreiteiros de mão de obra vao é buscar mais gente lá no interior do Paraná.
    Também, crescimento normal (dentro da taxas médias do país) é uma coisa, crescimento induzido e acelerado é outra bem diferente e no caso de Florianópolis é indesejavel.

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  8. Publicado por Carlos em 31/01/2009 às 16:35 r r

    Só quis dizer que se não querem construções nem automóveis, então aumentem as dificuldades em lugar de dar incentivos para a construção civil e para a indústria automobilística.
    O aumento da população e o processo de urbanização da população é um fenômeno mundial que atinge todas as cidades médias e grandes. As pequenas cidades do interior minguam enquanto as médias explodem.

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  9. Publicado por Otavio Di Mello em 31/01/2009 às 17:31 r r

    Não esqueçam que Florianópolis não é mais aquela cidadezinha do interior, onde minha avó criava galinha na Almirante Lamego. Aliás hoje em dia as crianças só conhecem galinha de saquinho.
    Na era Angela Amin, além de melhor qualidade de vida, ela prometeu em horário eleitoral que daria casa para os pobres. Daí a cidade explodiu. Lembram dos barracos na via expressa que eram o cartão postal da cidade na época. Bom ela realmente deu casa para eles e o pessoal do Saco Grande começou a reclamar que passou a ter roubos no local que era sossegado. Outros foram para Vargem do Bom Jesus perto do kartódromo e nosso condomínio passou a ter casas roubadas, inclusive sanitários, torneiras e tudo mais das casas que não estavam ocupadas, Daí grande parte vendeu as casas por mixaria que não valiam muito e se mudaram. E continuam chegando mais e mais famílias para Floripa.
    Enquanto os juízes que estudaram e fizeram concurso para chegar a onde chegaram não se valorizarem e se misturarem com políticos, vai continuar assim.
    Porque alguns juízes tem que se misturar? Os políticos estudaram que nem eles? Porque eles não se valorizam?
    Neste país não vejo futuro, não existe amor a ilha e nem a coisa alguma, apenas pelo poder e dinheiro.
    Fora disso só resta ir para algumas cidades abandonadas no interior onde o que imperam são as drogas.
    Daí vamos para onde? Esperar a morte?
    A Rodoviária está um lixo, hoje até turista reclamou no jornal hoje e não estão nem aí, as fotos da rodoviária estão todas no meu blog. Mas isto não dá IBOPE e político não está nem aí.
    Abraços a todos
    Otavio http://www.otaviodimello.com

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