As migrações — pelo mundo e por aqui
O calor da madrugada me tirou o sono. Acabei acordando mais cedo do que de hábito. Liguei a televisão para me distrair. Na Record News, num programa que não gravei o nome, apresentado pelo veterano Eliakim Araújo, um matéria especial sobre o problema da grande revolução étnica que está acontecendo na França, por conta das migrações, principalmente de árabes. Uma nova cultura — completamente distante das tradições locais — se impõe, o país não tem condições de gerar empregos e atender tantas demandas sociais. Resultado: a violência explode nos guetos. Reportagem excelente, imparcial e preocupante, porque mostra um mundo (árabe) avançando pela Europa em busca de melhores condições de vida e longe das disputas fratricidas que acontecem no Oriente Médio.
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Na seqüência, a Record News reapresentou um programa chamado Brasília Ao Vivo, tendo o pesquisador do Ipea Herton Araújo como convidado. Herton é especialista em migrações e realiza seus estudos baseado nos indicadores oficiais do IBGE. Papo vai, papo vem, o pesquisador aborda a questão de um fenômeno que é chamado de regressão migratória, ou seja, o fluxo de migrações ao contrário. Nordestinos que invadiram São Paulo nas últimas décadas estão voltando para sua região. O número de gente que volta supera a quantidade de pessoas que chega, porque São Paulo não é mais aquilo tudo e, de repente, os nordestinos resolveram recuperar a qualidade de vida (e estamos falando de áreas urbanas do Nordeste, não do agreste).
Em dado momento, Herton cita Santa Catarina. Entre 2007 e 2008, o Estado recebeu 100 mil novos moradores, migrantes procedentes dos Estados vizinhos, com predominância do Rio Grande do Sul e Paraná, nesta ordem, seguindo-se, em terceiro lugar, São Paulo. A preferência desses novos moradores é focalizada no litoral, em especial, claro, Florianópolis. O pesquisador aponta os problemas que já estamos vivendo, relacionados à grande demanda por infra-estrutura e também aos graves conflitos sociais. E adverte: a continuar no atual ritmo, com tanta gente buscando qualidade de vida, a capital catarinense entrará em colapso completo num prazo máximo de cinco anos, tornando-se inteiramente inviável para o chamado viver bem.
Herton esteve recentemente em Florianópolis e comentou entre amigos o que está acontecendo. Um deles disse mais ou menos o seguinte: “Ainda bem que você me avisou. Eu estava pensando em mudar para lá. Mas já mudei de idéia”.

