Carlos Damião

Entradas do Dezembro 2008

Feliz 2009!

31/12/2008 · 4 Comentários

 

Amanhecer sobre o rio Itajai-Açu, entre os municipios de Navegantes e Itajai. Registro meu

Amanhecer sobre o rio Itajaí-Açu, entre os municípios de Navegantes e Itajaí. Registro meu

 

 

Inventário do coração oscilante

 

Teu olhar vagante

         pela noite e pelo dia

se perde em

vôos de coisas quietas

que se abrigam em

         suspiros de fartura.

 

A aragem desarruma o tempo

no quanto cada passo leve das nuvens

desperta como      semente

                                      ou pedra

num exercício de labirintos

e fronteiras

- em horas iguais e melodiosas.

 

Inventário do coração oscilante

que se insinua no corpo do poema:

         um jardim sem rosto

germinado pela visitação infantil de

asas e brinquedos

sonhando afetos na nossa úmida quietude

         e na alegria mais ardente

         que em nós se alonga

 

como um aceno flutuante a

colorir de              ternura

estas horas luminosas e

indecifráveis.

 

© Carlos Damião – 2008 – Todos os direitos reservados

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As teclas de 2009

31/12/2008 · 4 Comentários

 

Obrigado aos queridos leitores que têm deixado mensagens de Feliz 2009.

Mais tarde pretendo postar um poema em homenagem a todos os leitores muito especiais que têm freqüentado este blog com fidelidade, carinho e entusiasmo crítico. Por enquanto, abraços e beijos a todos, torcendo para que – como disse o Mosquito – não tenhamos que teclar as mesmas teclas em 2009…

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É assim que eles chegam

30/12/2008 · 4 Comentários

 

Dois nordestinos me param na Rua Nunes Machado, região central da cidade. Maltrapilhos, pedem dinheiro e cigarros. Dou-lhes cigarros. “Como é que fazemos para chegar na praia?”, me indagam. Eles não têm a menor idéia de onde é que estão, que cidade é esta, qual a praia a que se destinam. Ouviram dizer que aqui é bom, que tem trabalho e é fácil ganhar dinheiro. Eles vieram para ganhar dinheiro. E não têm a menor noção de como fazer ou o que fazer. “Vocês não sabem mesmo pra onde ir?”. Eles respondem que não, não têm idéia do que é Florianópolis. “Vocês têm que pegar um ônibus e seguir para o Norte. Ou para o Sul da Ilha”. Os dois caminham em direção à Avenida Mauro Ramos, não sem antes lamentar que não têm sequer os trocados para pagar o ônibus. “Carona”, recomendo. “Pro Norte?”, me pergunta o mais velho deles. “Tanto faz”, respondo-lhe e sigo meu caminho.

É assim que eles chegam. Em duas semanas estarão instalados num barraco em Canasvieiras ou Ingleses. Em três semanas terão água, energia e telefone no barraco. E não há ninguém na prefeitura e no governo que perceba o que está acontecendo. Ou percebem e fecham os olhos, de olho nas urnas de 2010?

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Boas regras de convivência

30/12/2008 · 1 Comentário

 

Vou reiterar um velho pedido dos blogueiros: comentários com insultos, ofensas e afirmações maldosas serão solenemente despachados para a lata do lixo. Peço desculpas ao PJ, meu velho amigo, pelas palavras inconvenientes postadas por outro leitor. Isso não se repetirá.

Lembrando apenas que esta regra não se aplica aos debates acalorados sobre temas atuais, desde que assinalados por vocabulário adequado.

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As preferências do público

30/12/2008 · 5 Comentários

 

Há uma discussão nos comentários sobre o acesso à informação através da internet. Tudo começou com uma observação do leitor Cristian Dutra contestando um post que escrevi, a propósito do que as pessoas pensam em relação à mobilização da Aprasc (praças da PM). Cristian disse que lá em Caçador, onde ele está, esse tipo de questão não repercute.

A opinião do leitor foi criticada por outros, que apontam a desinformação geral das pessoas, apesar da existência da internet.

Contei aqui outro dia que fui tomar um café expresso numa lan house próxima ao meu trabalho. Havia umas 30 pessoas utilizando os computadores da lan house. Noventa por cento delas estavam conectadas no Orkut. Outras 10% estavam no MSN. Ninguém estava lendo o Diário on line ou o G1. Cem por cento do público não tinha mais do que 20 anos de idade.

Mas fico imaginando: se eu tivesse 20 anos e já existisse internet, qual seria meu comportamento? Seria um jovem alienado pelo Orkut e pelo MSN? Não sei. Quando eu tinha 20 anos me dedicava ao teatro, à poesia e à militância política. A década de 1970 pedia isso ou a alienação completa – que poderia ser a participação em tribos grunges ou ripongas, uma coisa apenas comportamental, sem nenhum sentido direto.

Não disponho de dados. Mas o que eu sei, pelos acessos ao meu blog, é que quem busca informações sobre os assuntos atuais é um público razoável, que tem algum tipo de preocupação política ou cultural. Em geral, pessoas com idade superior a 25 anos.

Pelas estatísticas do WordPress – o provedor deste blog – o que os leitores mais buscaram nos últimos dias foram observações sobre a paralisação dos policiais militares, sobre a morte do empresário e historiador Osvaldo Deschamps e sobre a presença de Carla Bruni no Brasil. [Estou me referindo a leitores que utilizaram mecanismos de busca para chegar ao blog].

Não é muito. Mas é uma parte da sociedade que está ligada no que acontece em volta dela. Talvez isso melhore um dia. Tenho fé.

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Dor pela Palestina

30/12/2008 · 3 Comentários

 

 

Há um pedaço de Florianópolis que chora e se revolta contra os ataques israelenses à Faixa de Gaza. É a comunidade palestina que se espalha pelas ruas comerciais mais tradicionais da cidade, em especial a Conselheiro Mafra e a João Pinto. Palestinos imigraram para a capital catarinense desde a década de 1990 justamente para fugir dos conflitos naquela região.

 

É lógico que nós, como defensores da paz e da harmonia entre os povos, também choramos e nos indignamos com a covardia e a prepotência dos  israelenses, que seguem matando civis – inclusive crianças – indiscriminadamente. Até ontem já haviam morrido 360 pessoas em conseqüência dos ataques.

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O governo sai do seu ‘universo paralelo’

29/12/2008 · 5 Comentários

 

Durante meses a Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc) tentou conversar com o governador Luiz Henrique. Nunca obteve sucesso, porque LHS delegou a um comitê gestor a tarefa de governar Santa Catarina. Também porque, no mais das vezes, o governador sempre esteve muito ocupado com os altos negócios que ele imagina serem atribuições de um chefe de Estado. A questão da Aprasc era tratada como assunto secundário.

Tão secundário que nunca, em momento algum, os sites oficiais (das secretarias e do próprio palácio do governo) trataram do tema. Não havia palavra oficial sobre a lei 254 e sobre eventuais negociações envolvendo autoridades e representantes. Tudo, no mundo oficial, era revestido de um silêncio ensurdecedor. Aquele silêncio que as nulidades da política adoram, para fazer de conta que vivem num universo paralelo.

Agora, depois de tudo o que houve, o governo se pronuncia no próprio site do palácio. E sempre para “queimar o filme” dos praças. Vejam o que diz no press-release do palácio o ex-democrata Sadi Lima, que defendeu presos políticos durante o regime militar, inclusive oficiais e soldados da PM que ousaram reclamar por democracia naquele triste período 1964-1985:

 

“Procuradoria Geral do Estado justifica ação proposta à Justiça

 

O procurador-geral do Estado, Sadi Lima, justificou nesta segunda-feira (29) a ação proposta à Justiça referente à dissolução da Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc). ‘Esta ação foi proposta à Justiça pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) porque a entidade estava exercendo atividades ilícitas. A Constituição Federal limita o direito a associação apenas para fins lícitos. A Aprasc, no entanto, estava sendo utilizada para incitar os militares a fazer greve e a fechar o acesso aos quartéis’, informou Lima.

Segundo o procurador, essas atividades são consideradas ilegais. A greve, por exemplo, é vedada a policiais militares, segundo o art. 142, § 3º, IV, da Constituição da República. Agora cabe à Justiça ouvir as partes envolvidas para, na seqüência, decidir se acata ou não o pedido da PGE.

Na mesma ação, a Justiça atendeu ao pedido da PGE para a retirada do ar do site da Aprasc. A referida página da Web estaria sendo usada para ‘fins ilícitos’, como incitação à greve de militares.

A ação foi proposta pela PGE baseada na sua Lei Orgânica, que concede autonomia ao procurador-geral do Estado para tomar este tipo de medida quando considerar adequado”.

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O anão e o homem pequeno

29/12/2008 · 1 Comentário

 

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No Clic (acima), trataram o caso como relativo a um “anão embriagado” que foi preso pela Polícia Militar. No RBS Notícias o mesmo caso foi relatado como sendo relativo a um “homem com pouco mais de um metro de altura”.

Está certo: embora dois veículos da mesma rede de comunicação tenham tratado o mesmo assunto de formas politicamente diferentes, a verdade é que um homem com pouco mais de um metro de altura é… um anão. E nenhuma teoria científica pode provar o contrário. [É igual à expressão “deficiente visual”, muito bem desmontada pelo humorista Geraldo Magela: deficiente visual é quem enxerga mal. Quem não enxerga é cego, como o próprio Magela - cego - define].

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O que se diz nas ruas

29/12/2008 · 9 Comentários

 

Experimente perguntar, leitor, para qualquer pessoa que encontrar na rua, de quem é a culpa pelo que houve na Polícia Militar. A resposta unânime – e sem qualquer discussão – é uma só: do governador Luiz Henrique. O senso comum é de que o governador prometeu, assinou uma lei (254), não a cumpriu e utilizou a massa militar (os praças) com objetivo político-eleitoral em 2002 e 2006. Ou seja, a teoria de “quem pariu Mateus que o embale” é compreendida sem pestanejar por todos que acompanharam a questão.

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O positivismo e a desigualdade

29/12/2008 · Deixe um comentário

 

O princípio da hierarquia na Polícia Militar é uma herança positivista. Da mesma forma que as diferenças salariais, que aprofundam a desigualdade dentro da Corporação, em especial porque o positivismo nunca estabeleceu a igualdade (ou o equilíbrio social) como parâmetro. E é necessário não esquecer ainda a influência maçom na organização interna, principalmente entre os oficiais mais graduados.

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