Carlos Damião

A poesia de Ganchos

07/11/2009 · Deixe um comentário

Ganchos

Ganchos, na sexta-feira passada (30 de outubro): pura poesia ao entardecer

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A bagunça institucionalizada em Florianópolis

07/11/2009 · 3 Comentários

Bagunça. É o mínimo que se pode dizer sobre essa ridícula dança de cadeiras em Florianópolis – saem o titular e o vice para que o presidente da Câmara Municipal possa sentir o gostinho do cargo. É mais um factóide, para colocar o vereador Gean Loureiro na mídia, incensar sua pretensão eleitoral de 2012, que é concorrer à sucessão de Dário Berger. Mofas!

Loureiro vai ficar 12 dias no cargo. E tudo vai continuar do mesmo jeito atrapalhado e sem rumo. É a bagunça institucionalizada.

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Mais factóides

06/11/2009 · Deixe um comentário

Leitor Hélio acrescentou mais informações sobre o que é factóide. Nada que mude muito o que eu já tinha escrito. O fundamental é que o factóide passou a ser uma espécie de recurso do marketing para reforçar determinadas ações da administração pública, sempre com o objetivo de ganhar espaço na mídia.

Outros exemplos que venho colecionando: viagens internacionais das autoridades, grandes contatos com grupos empresariais nacionais e internacionais, discursos ufanistas, reuniões com especialistas estrangeiros em segurança pública, tudo isso se presta a ser factóide, na medida em que causa sensação junto à opinião pública. Tudo isso, aliás, muito praticado em Santa Catarina, em geral com resultados pouco palpáveis, ou seja, quase nulos.

O campeão de factóides no Brasil foi o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, que inventava semanalmente alguma bobagem para aparecer na mídia. Mas o governo federal é useiro e vezeiro em divulgar coisas grandiosas, muitas vezes irrealizáveis, como a história do pré-sal, poderoso instrumento de marketing (factóide) para a campanha política que se avizinha.

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Fatos e factóides

06/11/2009 · 1 Comentário

Outro dia, um leitor me pediu que explicasse melhor o que é factóide.

Um exemplo simples: a prefeitura tem obrigação de manter a cidade limpa, tapar buracos, cuidar dos canteiros, recolher o lixo todos os dias etc. e tal. Mas o prefeito, que precisa cacarejar para dizer que botou o ovo, desenvolve uma campanha de marketing (o marketing é o melhor amigo do factóide) e distribui anúncios em outdoors e outras mídias. Entendeu? O que é obrigação elementar de uma prefeitura vira um factóide tolo, amplamente divulgado pelos veículos de comunicação como um mérito da administração municipal.

Outro exemplo: já existe uma legislação federal proibindo o fumo em ambientes fechados, ônibus, aviões etc. Mas vereadores e deputados, na ânsia de parecerem os gênios da raça, criam leis pontuais proibindo a mesma coisa. Mero factóide, nada de novo, tudo previsível, mas a mídia embarca e coloca esses vereadores e deputados a concederem longas e cansativas entrevistas, quando o óbvio, na prática, já é respeitado: me apontem, vereadores e deputados, um restaurante em Florianópolis que permite o fumo em sua parte interna. Me deem o endereço que eu vou lá acender um Marlboro. Não faço isso há mais de uma década, em restaurantes, bares e congêneres.

Mais um exemplo: o vídeo mostrando tortura de presos na penitenciária estadual, infelizmente localizada em São Pedro de Alcântara (um dia eu conto a história de como essa penitenciária foi parar lá), é um factóide, produzido a gente sabe bem por quem e com qual objetivo. O fato (isso mesmo) de a ocorrência ter se registrado em fevereiro de 2008  já e um indicativo de que se trata de um factóide, instrumento para ser utilizado no momento propício e com alvo bem definido. Se tivesse sido divulgado logo após o acontecimento não seria um factóide, mas um fato jornalístico indiscutível. Virou fato 19 meses depois! Uau. Mas, como dizem, antes tarde do que nunca.

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A Exceção e a Regra

05/11/2009 · 2 Comentários

Estranhem o que não for estranho.

Tomem por inexplicável o habitual.

Sintam-se perplexos ante o cotidiano.

Tratem de achar um remédio para o abuso

Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra.

Trecho de “A Exceção e a Regra”, fábula teatral sobre o Direito e, por que não dizer, sobre a Justiça, escrita pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956).

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Destruindo o patrimônio da cidade

05/11/2009 · 7 Comentários

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Mais uma falta de respeito com a cidade: estão descaracterizando esse belo casarão, que foi sede do PSB, na Avenida Hercílio Luz. As primeiras informações dão conta que os responsáveis (ou irresponsáveis) estão “reformando” o prédio para ali instalar um restaurante. Se for isso mesmo, estou fora, passo ao largo. Quem destrói o patrimônio não merece piedade, nem frequência. E se a prefeitura permitiu essa violência, Deus que me perdoe… não vou dizer mais nada. [A foto é uma gentileza do João Cavallazzi, repórter sempre atento às coisas de Florianópolis].

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Os que só dizem ’sim’

05/11/2009 · 2 Comentários

Ainda estou inconformado com a história de São José (post anterior). Depois do almoço, sentei sob a sombra de uma árvore e comecei a pensar: que diabos de democracia é esta nossa, em que prevalece a teoria e a prática da espinha curvada? Não foi por esta democracia que lutamos tanto nos anos 1970-80. Lutamos pela representatividade real, pela participação efetiva do povo no poder, pelo respeito às instituições, pela justiça social e pela superação do atraso — econômico, político e social.

Essa distorção presente hoje a todas as instâncias – da Presidência da República às mesas diretoras das câmaras municipais – não é democracia. É conchavo, é fisiologismo barato, é uma forma covarde de administrar, de fazer política, de jogar com interesses mesquinhos, particulares, escusos e egoístas.

Talvez por isso, quem diz não nunca é bem vindo a esses grupos que se encastelam no poder. Basta dizer não para ser amaldiçoado, escorraçado, esculhambado. Cai em desgraça, porque o que vale nesta democracia de araque é o que diz o Folhetim (Chico Buarque):

Se acaso me quiseres / Sou dessas mulheres / Que só dizem sim / Por uma coisa à toa / Uma noitada boa / Um cinema, um botequim / E, se tiveres renda / Aceito uma prenda / Qualquer coisa assim / Como uma pedra falsa / Um sonho de valsa/ Ou um corte de cetim / E eu te farei as vontades / Direi meias verdades / Sempre à meia luz / E te farei, vaidoso, supor / Que és o maior e que me possuis / Mas na manhã seguinte / Não conta até vinte / Te afasta de mim / Pois já não vales nada / És página virada / Descartada do meu folhetim

Que letra própria para os que só dizem sim! E como isso é real na política catarinense, nesse varejão que virou a administração pública, tanto no Estado quanto em alguns municípios.

E digo mais: ainda bem que existem aqueles que dizem não. E não estou falando dos blogs, mas também de alguns políticos – minoria, é verdade – que resistem a esse vergonhoso canto de sereia lançado pelos pseudolíderes que surgiram nos últimos anos.

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São José — Sucupira — de novo

05/11/2009 · 12 Comentários

Acabo de ouvir a entrevista do prefeito de São José, Djalma Berger, ao repórter Felipe Reis, da CBN-Diário, sobre a inacreditável decisão da Câmara de Vereadores daquele município, que impede a posse do vice-prefeito, Telmo Vieira, na ausência do titular. Estou estarrecido. Djalma carregou nas tintas. Ele não tem um vice – aliás, prefeito e vice não se falam desde janeiro, logo após a posse. Ele quer que o vice se subordine à sua linha de atuação e acabou de dizer isso na entrevista.

Ora, ainda que teoricamente o titular e o vice tenham assinado um programa de governo e, nas urnas, tenham sido sacramentados pelo voto popular, é incompreensível, é ilegal, é imoral, é antiético, que o titular queira manipular a consciência e o comportamento de seu sucessor constitucional. É evidente que o vice, no exercício interino do poder, não pode muita coisa. Mas é o responsável pela administração do município, é o representante legal, é a personalidade jurídica da cidade na ausência do prefeito.

A forma como Djalma falou ao repórter da emissora só nos faz acreditar que ele se julga dono do mandato de prefeito. Não é, Djalma. Com o devido respeito, o dono do mandato é o povo. E pergunte ao povo de São José, por onde circulo muito, se ele está satisfeito com os rumos que a cidade vem tomando desde janeiro. Não está. Converse com os empresários locais, com as lideranças comunitárias, com aqueles que não se alinham com o senhor – como o próprio vice-prefeito – se as coisas vão bem. Não vão. Muitos empresários estão deixando São José, direcionando seus investimentos para outros municípios, porque não concordam com esses rumos a que me refiro.

A boa administração pública se faz com diálogo. E, se possível, com o contraditório. Toda administração pública conduzida à base do fisiologismo, da adesão escancarada, da subordinação, da espinha curvada, é suspeita.
Volte atrás, doutor Djalma. Viaje e entregue o cargo ao seu vice. Ele não fará nada que não esteja dentro dos limites da lei. E talvez esse seja o grande problema do Telminho, que é uma figura adorável. Até onde o conheço, e muito bem, ele costuma respeitar a lei e é um homem de personalidade.

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Cadê a oposição?

05/11/2009 · 4 Comentários

Nem queria voltar ao assunto, porque me provoca náuseas. Mas lendo os jornais de hoje e observando o que aconteceu ontem, o bate-boca entre o delegado Renato Hendges e o diretor dos presídios, Hudson Queiroz (depois, demitido), só posso concluir – na verdade, repetir uma conclusão – de que não temos autoridade em Santa Catarina. Onde há autoridade não acontecem coisas como as que vêm ocorrendo na área de segurança pública. E autoridade não se faz com marketing, com viagens internacionais, altos contatos de terceiro grau, poses e mais poses monárquicas. Autoridade é bem outra coisa. Que inspira, sobretudo, respeito, obediência, admiração. Quem pode ser admirado nessa geleia em que se transformou o governo catarinense? Eu, sinceramente, vejo um ou outro secretário, um ou outro assessor que ainda cumprem suas obrigações com zelo e competência. No mais, o que observo só me causa tristeza, desalento, desesperança – porque esse modelo pode continuar por mais quatro anos, se não houver uma oposição competente, aguerrida, séria, comprometida e transformadora para enfrentar essa turma nas urnas, ano que vem.

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Paz no blog

04/11/2009 · Deixe um comentário

Meus queridos [e são queridos mesmo, vocês nem sabem o quanto] Les Paul e João fizeram as pazes nos comentários. Melhor assim. Não podemos ficar brigando entre nós, enquanto os párias e parasitas da política fazem a festa. Se há alguém que está perdendo essa guerra – da precariedade institucional em Santa Catarina – é a sociedade de nosso Estado. Nós somos as vítimas dessa gente, desses esqueminhas sórdidos que incluem até o marketing macabro que o Fantástico mostrou. Imagens que correram o mundo, para vergonha dos catarinenses decentes.

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