Audiência pública nesta quarta-feira, às 15 horas, na Câmara de Vereadores, vai discutir o processo licitatório para o transporte coletivo em Florianópolis. Tem mais: o encontro vai tratar também de “outras providências para o sistema de transporte coletivo de passageiros no município de Florianópolis”. Quem sabe?
Felizmente a Câmara ainda tem esses laivos de seriedade – uma iniciativa do vereador Renato Geske (PR), a quem cumprimentamos. Porque, quando leio coisas como a discussão estéril sobre o crucifixo do plenário… Tenho ganas de atirar umas tijoladas do Mosquito em certos parlamentares inúteis e boçais.
Amigos gostariam que este blog fosse mais ativo, mais presente, mais dinâmico, ou seja, que funcionasse 24 horas, discutindo temas relativos a cidadania, política, cultura etc. Mas existe uma grande diferença entre o ideal e o real. Sinceramente, gostaria de me dedicar apenas ao blog, como fazem blogueiros vinculados a grandes portais de notícias. Mas isso, por enquanto, é apenas um sonho. Nas condições atuais, faço o blog apenas por diletantismo, por paixão pela palavra e também por um pouco da indignação-cidadã que me motiva a criticar essa politicalha que tomou conta do governo do Estado e de algumas prefeituras da nossa região.
Então, peço escusas àqueles que gostariam de ler mais, por aqui, e nem sempre se satisfazem com as poucas e mal-traçadas linhas que consigo escrever neste cotidiano tão atropelado por compromissos profissionais. Mas o projeto de viver do blog, ou de outra ferramenta jornalística na web, não está abandonado. Pretendo chegar lá, devagar, mas sempre alerta.
Uma matéria da RBS TV, ontem, me deixou intrigado: afinal, qual a relação entre o Figueirense e a figueira da Praça 15 de Novembro? Para RBS TV, tudo a ver; pelo menos foi a impressão que a reportagem me passou – o time teria seu nome inspirado na árvore centenária.
Embora a matéria possa ter utilizado a figueira da praça como uma licença poética, a verdade histórica é outra: o Figueirense tem esse nome porque nasceu no bairro da Figueira, mais ou menos onde hoje é a Casas da Água da Rua Francisco Tolentino, proximidades da Rua Padre Roma. Lá, no início do século 20, existia uma figueira que dava nome ao lugar e que acabou inspirando os fundadores do clube no batizado da equipe.
A coletiva da ministra Dilma Roussef na Assembleia Legislativa (foto) foi um sufoco total. A sala ficou pequena demais para tantos jornalistas, o ar-condicionado não deu conta e, por isso, o calor mostrou sua força. Dilma fala bem, é articuladíssima e, claro, vive num Brasil de números superlativos, inalcançável para a plebe ignara. “O mundo dos bilhões, bilhões, trilhões e zilhões”, resumiu para mim um empresário amigo que esteve na palestra que ela fez, falando do pré-sal a uma plateia de políticos, empresários, sindicalistas e militantes petistas já engajados em sua campanha à Presidência da República.
Mosquito (esquerda) apareceu vestido assim na coletiva da ministra Dilma Roussef, hoje à tarde, na Assembleia Legislativa. E o Marcelo Tolentino, blogueiro e colunista do Notícias do Dia, parece que não acreditava no que estava vendo. Mosquito causou furor com seu modelito anti-Dilma, mas saiu do ambiente – dominado por jornalistas e lideranças políticas – sem Detefon.
Durante um jantar de trabalho eu e um amigo jornalista começamos a analisar ponto por ponto quais os prefeitos que trabalham e se empenham por suas cidades. Avaliamos apenas os municípios mais conhecidos e mais próximos de nós:
– Joinville – Carlito Merss – Ativo, participante, envolvido com a comunidade.
– Blumenau – João Paulo Kleinübing – Idem
– Itajaí – Jandir Bellini – Idem
– Biguaçu – José Castelo Deschamps – Idem
– Tijucas – Elmis Mannrich – Idem
– Balneário Camboriú – Edson Piriquito – Idem
– Palhoça – Ronério Heiderscheidt – Depois de reeleito, distanciou-se do cotidiano municipal e viaja bastante, de preferência para o exterior
– São José – Djalma Berger – Administração confusa, muito virtual (baseada em marketing), não disse a que veio
– Florianópolis – Dário Berger – Vitorioso na campanha para a reeleição em 2008, ainda não assumiu o segundo mandato. Governa à distância (virtual), viaja demais e não sabe o que acontece na cidade que “administra”
O que me motivou a escrever esse texto foi a inventividade, as “soluções” que se encontram quando se pensa em um problema (como a falta de recursos) para se empreender algo em benefício da coletividade…
Admitir o problema, pensar nele, e agir…
Boas ideias, convencimento, apoio e resultados…
Em detrimento daquela árvore que, segundo soube-se na imprensa (e nos blogs) custará R$ 3 milhões e setecentos mil reais… Dose pra mamute…
Está aí o exemplo…
A música “Happy XMas do John Lennon, de 1972 lançada em compacto simples, no lado “B” está “Listen, the snow is falling”, de Yoko Ono – com todo o respeito – com quem não vale a pena insistir…
Ambas as músicas são acompanhadas da “Yoko Ono and the Plastic Ono Band”…
A produção é do Phil Spector, aquele…
Um abração e o carinho de sempre, do poeta!
NATAL CRIATIVO SERVE DE EXEMPLO
Olsen Jr.
Já se disse que a necessidade é a mãe da inventividade. Os exemplos são inúmeros em muitas áreas. O caso do relógio de pulso que o Santos Dumont idealizou… Do band-aid, do fecho-éclair ou zíper e ainda o velcro, e mais remotamente e curioso, as latas de conservas de alimentos (inventadas a partir de um prêmio oferecido por Napoleão Bonaparte que assegurava “a força militar se move sobre o estômago”) e começou com garrafas lacradas com cera até ser aperfeiçoada pelos ingleses e chegar às latas como se conhece hoje. Aliás, há quem afirme que o império inglês não teria chegado aonde chegou não fosse essa maneira engenhosa de transportar alimentos.
Isso me vem de relance a propósito do que presenciei na cidade de Rio Negrinho (Norte do Estado) com a decoração natalina deste ano. Se se consegue aliar a essa capacidade inventiva, também criatividade, bom gosto e mais, aproveitando o que se chama lixo reciclável e, sobretudo, mobilizar uma comunidade inteira em torno de uma ideia que, em última instância beneficiará o próprio município, então se acertou na sorte grande em termos de socialização, como disse um ex-professor de economia, Milton Pompeu “diminuindo custos e multiplicando benefícios”.
Foi isso o que a Prefeitura Municipal fez, mobilizando escolas, identidades sociais, clubes de serviços a própria Associação Comercial e Industrial até, e principalmente, as crianças em um projeto que possibilitou a arrecadação e transformação de 250 mil garrafas pet, conseguidas em tempo recorde em verdadeiras obras de arte.
A cidade se transformou. Em todos os lugares se pode constatar o empenho e a experiência criativa desdobradas em artefatos natalinos tradicionais, mas feito com o que, em muitos lugares, é apenas lixo. Assim, se pode ver em um trevo ou rótula no centro, enormes velas em diversos tamanhos se constituindo um belo ornamento em cima de um canteiro deixando os visitantes e turistas estupefatos, afinal, quando nos aproximamos é que vamos percebendo que tudo foi construído a partir de fundos de garrafas plásticas cortadas e montadas com engenhosidade.
Também na praça que homenageia o “Expedicionário Oldegar Olsen Sapucaia”, enormes bolas imitando as tradicionais que ornamentavam as guirlandas natalinas e mesmo os pinheirinhos nas casas em outros tempos, tudo com variantes de garrafas trabalhadas com desvelo e recriadas com arte.
Nas ruas, em cada uma delas, há uma criação diferente, ora as bengalas sugerindo os doces que serão distribuídos pelo bom velhinho ou então cestas grandes contendo arranjos de folhas vermelhas e fixadas em todo o trajeto por onde se entra na cidade.
Não me canso de anotar, tudo feito a partir de garrafas de matéria plástica, de lixo, produto de nossa (in)civilização consumista, desta vez, original e criativa.
O conjunto dos trabalhos foi denominado de “Natal Encantado” e leva a assinatura da Eco-Decor, a mesma responsável pelo Natal Luz da cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul.
Agora, pouco antes de decidir homenagear a cidade onde viveram os meus avós, nesse caos, ou melhor, nesse redemoinho comercial em que praticamente chafurdam quase todas as ações humanas onde nem o natal está impune (como se vê com os “mundos e fundos” que algumas cidades estão gastando com a decoração natalina a pretexto de atrair a atenção e visita de turistas, a nossa Capital, por exemplo) essa iniciativa dada pela cidade de Rio Negrinho constitui-se uma espécie de bálsamo, uma trégua e uma referência, porque ali, basta caminhar pelas ruas e você percebe que todo o habitante se sente orgulhoso do que vê, porque de certa maneira, somente no empenho em se reunir aquelas 250 mil embalagens, todos se envolveram, se sentiram úteis e, portanto, são responsáveis por aquela obra de arte dentro da qual estão perfeitamente integrados.
De parabéns a cidade, a iniciativa, a criatividade e a coragem de ser diferente.
Outra imagem do temporal, às 16h28 – registrada por meu irmão, Marcos, na baía Sul. “Dá para ver os vórtices arrancando vapor de dentro da água…”, diz ele no e-mail que me enviou.